As eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos podem representar um desafio para o déficit fiscal do país, de acordo com o relatório mensal de perspectivas de mercado do banco Barclays. O documento aponta que uma eventual mudança na maioria do Congresso, saindo das mãos dos republicanos para os democratas, pode gerar um impasse político entre um Legislativo democrata e um Executivo republicano.
Conforme o levantamento, esse cenário de travamento institucional impediria a aprovação de projetos de lei de grande impacto, bloqueando medidas voltadas para a redução significativa do déficit americano. Recentemente, dados do Departamento do Tesouro indicaram que o déficit fiscal dos Estados Unidos alcançou US$ 1,99 trilhão — o patamar mais alto em cinco anos —, impulsionado por gastos recordes para o pagamento de uma dívida nacional superior a US$ 40 trilhões e pelo reembolso de tarifas.
O relatório do Barclays também avalia que a inação governamental decorrente de um possível impasse político pode trazer desdobramentos desfavoráveis para a inflação e para as taxas de juros americanas, que se encontram em máximas históricas. A situação ganha relevância em um momento em que os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA já superam a marca de 5%.
Panorama atual do Congresso norte-americano
Atualmente, o Partido Republicano mantém uma vantagem estreita no Legislativo. Na Câmara dos Representantes, a composição registra 218 republicanos contra 214 democratas. No Senado, o cenário é semelhante, com 53 republicanos e 47 democratas.
O pleito coloca em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 33 assentos no Senado. Para que os democratas assegurem o controle majoritário, o banco aponta que será necessário um ganho líquido de quatro cadeiras.
A instituição financeira destaca ainda que, imediatamente após o pleito, os parlamentares em exercício continuam com poder de voto, mesmo que não tenham conseguido a reeleição. O atual Congresso permanece em atividade até o dia 3 de janeiro, período em que os legisladores devem tentar avançar com suas respectivas pautas. Além disso, o cronograma fiscal traz outra data crítica para o mercado e investidores: o prazo de financiamento do governo federal dos Estados Unidos, fixado para 11 de dezembro.
