As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, concentram as atenções políticas nesta terça-feira (3). Em entrevista à correspondente da CNN Mariana Janjácomo, em Washington, o professor de História dos Estados Unidos da Temple University, Lucas de Souza Martins, analisou os possíveis desdobramentos do pleito e apontou que, embora paradas anteriores sirvam de referência, não há um caminho previsível para o resultado.
Janjácomo apresentou a comparação feita por analistas entre as midterms atuais e o pleito de 2010. Naquele ano, durante a gestão de Barack Obama, o Partido Republicano conquistou 63 cadeiras na Câmara dos Representantes e cerca de 700 cargos estaduais, gerando expectativas de um movimento inverso agora com os democratas. Martins ponderou, contudo, que os paralelos históricos funcionam como guias e não como previsões.
O especialista recordou as eleições de 2006, sob a administração de George W. Bush, quando os republicanos perderam o controle de ambas as casas do Congresso, mas dois anos depois o democrata Barack Obama venceu a corrida presidencial. Para ele, uma derrota nas midterms não determina o desfecho da eleição seguinte, e os caminhos do eleitorado podem seguir em qualquer direção.
Governabilidade e impacto no Congresso
Caso os democratas alcancem a maioria na Câmara dos Representantes e possivelmente no Senado, a dinâmica de poder em Washington sofrerá alterações significativas. Segundo o professor, o Congresso americano historicamente detém prerrogativas amplas, embora Donald Trump tenha optado por impor sua vontade sobre a estrutura e mantido aliados republicanos fiéis até o momento.
Com uma eventual maioria democrata, a oposição ganharia mais instrumentos de fiscalização por meio dos comitês do Capitólio, viabilizando investigações, apurações de escândalos e análises de posições comerciais e tarifárias para cobrar mais respostas do governo.
Relevância do Brasil nas disputas
A entrevista também abordou tarifas comerciais e política externa, destacando o custo de vida, a inflação e temas internacionais como guerra no Irã, acordos com a Rússia e tensões comerciais como motivadores do voto da oposição.
Nesse cenário, Martins avaliou que o Brasil ganha relevância nas discussões políticas internas dos Estados Unidos. Citando Marco Rubio como possível presidenciável para 2028 ao lado de J.D. Vance, o professor afirmou que os democratas devem atacar a política externa e as relações com Washington envolvendo o Brasil como estratégia visando a corrida presidencial.
