Nas semanas anteriores às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, um receio se espalhou entre imigrantes de todo o país quanto à possibilidade de o ICE, a polícia de imigração americana, realizar batidas nas proximidades dos locais de votação com o objetivo de intimidar eleitores.
O temor teve origem em declarações de autoridades. Em maio, o presidente Donald Trump afirmou a jornalistas que poderia enviar a Guarda Nacional ou agentes do ICE aos centros de votação. Em fevereiro, o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon, declarou que o ICE iria "cercar as urnas" em novembro. Embora o Departamento de Segurança Interna — órgão ao qual o ICE é subordinado — tenha assegurado que não haveria agentes nos arredores das seções eleitorais, parte da população optou por se prevenir.
Em Koreatown, bairro de imigrantes coreanos e latinos situado no centro de Los Angeles, a organização comunitária Koreatown Immigrant Workers Alliance mobilizou voluntários e advogados conhecidos como "protetores do voto". O grupo foi treinado para acompanhar eleitores e acionar suporte caso ocorressem abusos.
Segundo Abraham Lugo Bello, líder da organização, o objetivo foi evitar o pânico. "As pessoas estão com muito medo de que o ICE ou fiscais do Departamento de Justiça sejam mandados para as urnas e criem confusão. O que estamos tentando mostrar é que precisamos assumir o nosso poder, e não entrar em pânico", declarou. Ele também pontuou que, no período da manhã, não houve registro de incidentes.
O contexto em Los Angeles é marcado por atritos anteriores. Em 2025, a cidade recebeu o envio da Guarda Nacional e de fuzileiros navais ordenado por Trump para apoiar operações do ICE contra imigrantes sem documentos, o que gerou resistência e protestos da população.
Cenário político na Califórnia
Apesar de a Califórnia não eleger senadores neste pleito, o estado possui peso decisivo na disputa pela Câmara dos Deputados. Contando com 52 cadeiras, é a maior bancada do país. Atualmente, os democratas ocupam 43 vagas, os republicanos têm 8, e há um deputado independente alinhado aos republicanos. A configuração deve mudar após a aprovação, em 2025, de um novo mapa eleitoral pelos californianos, desenhado como resposta ao redesenho de distritos feito no Texas a pedido de Trump, com potencial para garantir até cinco cadeiras adicionais aos democratas. Com os republicanos controlando a Câmara por margem estreita, essas vagas podem definir o comando da Casa a partir de janeiro.
Nas ruas de Los Angeles, a atmosfera é descrita como tranquila e sem sinais de polarização. Por ser uma cidade majoritariamente democrata, as principais competições ocorrem, na prática, entre membros do próprio partido. A prefeitura é disputada pela atual prefeita, Karen Bass, e pela vereadora Nithya Raman, dos Socialistas Democráticos da América.
Para o governo estadual, o democrata Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde de Joe Biden, figura como favorito contra o republicano Steve Hilton, aparecendo cerca de 20 pontos à frente nas pesquisas. Caso seja vitorioso, Becerra será o primeiro latino eleito governador da Califórnia, estado onde 40% da população é hispânica. Ao votar pela manhã em Sacramento, capital do estado, Becerra cumprimentou eleitores e jornalistas com um "¡Buenos días!" e brincou que todos deveriam se habituar à saudação.
O encerramento da votação na Califórnia está marcado para as 20h no horário local, equivalente à 1h da madrugada de quarta-feira no horário de Brasília.
