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Especialista aponta que Lula precisa integrar agro e meio ambiente

Segundo especialista do Insper, governo deve articular ativos ambientais e produtivos para ampliar influência internacional e garantir investimentos.

Redação•26 de out. de 2026, 18:30
Especialista aponta que Lula precisa integrar agro e meio ambiente
Imagem: site

Especialista aponta que Lula precisa integrar agro e meio ambiente

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Integrar a produção agropecuária e o patrimônio ambiental do Brasil como recursos de poder deve orientar uma atuação pragmática do próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é de Alberto Pfeifer, professor do Insper Agro Global e especialista em geopolítica e agronegócio.

Segundo o especialista, o país precisa articular esses ativos em uma estratégia para ampliar sua influência internacional e assegurar a continuidade dos investimentos no campo. Pfeifer pontua que essa integração exige superar a separação entre políticas ambientais, agricultura familiar e produção empresarial registrada no mandato que termina no final do ano.

De acordo com o professor, embora o governo tenha aberto mercados para produtos brasileiros, os avanços ocorreram de maneira fragmentada, sem consolidar o setor como um instrumento estratégico de projeção internacional. “O espaço do meio ambiente não se comunicava com o agronegócio. O espaço da agricultura familiar não tinha comunicação com a agricultura empresarial. Falta essa visão”, afirmou.

Para Pfeifer, a contribuição do setor vai além das exportações de alimentos e da geração de divisas, pois a capacidade produtiva e os ativos ambientais fortalecem o Brasil como provedor de segurança. Contudo, transformar tal potencial em influência exige uma orientação integrada do governo em um cenário de acomodação política pós-eleitoral.

Cenário político e econômico

O especialista aponta que o agronegócio apoiou majoritariamente Flávio Bolsonaro por identificá-lo como mais alinhado às pautas do setor, exigindo adaptação à vitória de Lula. Pfeifer também recomenda cautela ao interpretar o avanço de Lula em estados com forte presença agropecuária, ponderando que o resultado pode refletir apoio de eleitores urbanos e não necessariamente mudança de preferência entre produtores rurais.

Governadores e parlamentares ligados ao agro terão papel relevante na interlocução com o Executivo, embora persista a dúvida se essa representação converterá força política em medidas concretas em um governo considerado menos próximo do setor.

No curto prazo, a atenção recai sobre a equipe econômica. Escolhas de Lula definirão expectativas para juros, câmbio, inflação e investimentos. Com investidores tendo apostado na vitória de Flávio Bolsonaro devido à expectativa de disciplina fiscal e simplificação de negócios, o resultado eleitoral exige revisão de apostas e ajustes nos preços dos ativos, exigindo atenção do presidente reeleito.

Investimentos e seguro rural

No campo, a postura descrita é de espera, contendo investimentos e preservando caixa. A produção continua, mas a elevação da produtividade depende de previsibilidade. Juros altos, instabilidade cambial e falhas em proteções contra perdas climáticas dificultam o planejamento.

O seguro rural é apontado como prioridade. Pfeifer estima que a cobertura no Brasil alcance cerca de 5%, ante 40% a 90% em países avançados. Ampliar o acesso ao instrumento reduz exposição a perdas, dá suporte ao financiamento e eleva a capacidade de investimento.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/lula-precisa-integrar-agro-e-ambiental-como-recursos-de-poder/

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