O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25) para o seu quarto mandato não consecutivo, defendeu a criação de uma inteligência artificial brasileira e a regulação das big techs durante discurso realizado na Avenida Paulista, em São Paulo (SP).
Em sua fala aos apoiadores, o mandatário destacou a necessidade de incentivar áreas como matemática e engenharia para evitar a dependência tecnológica externa. “Iremos ensinar mais matemática e engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana. Eu quero criar uma brasileira”, declarou.
O presidente também mencionou uma suposta interferência estrangeira no país por meio de plataformas digitais, fazendo referência ao caso da Meta. O tema esteve em evidência durante o período eleitoral, quando a coligação liderada pelo PT e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) acusaram a empresa de tentar influenciar o pleito ao alterar métricas de candidatos e bloquear conteúdos. Na última semana da campanha, a big tech voltou ao centro das discussões após denúncias, cobranças da Justiça Eleitoral e a admissão da própria companhia sobre a existência de falhas recorrentes no controle de conteúdos.
“Não podemos ter empresas monstruosas de grande ganhando milhões e bilhões, não pagando imposto, e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, afirmou Lula.
Além disso, o chefe do Executivo pontuou que o Brasil possui o maior potencial energético renovável para abrigar data centers em território nacional, ressaltando que tais infraestruturas devem armazenar dados brasileiros e não apenas informações de corporações estrangeiras.
Propostas para o quarto mandato
As diretrizes mencionadas no discurso alinham-se às propostas já previstas no plano de governo de Lula. O documento oficial contempla medidas voltadas à soberania digital, incluindo:
- Desenvolvimento de um ecossistema nacional de tecnologia, com supercomputadores operados por instituições nacionais.
- Expansão de data centers e infraestruturas de inteligência artificial associadas a salvaguardas socioambientais e elétricas.
- Criação de um modelo de linguagem em português direcionado aos problemas nacionais, acompanhado de uma plataforma brasileira de dados de treinamento.
- Mecanismos para garantir que o ambiente digital cumpra as leis do país, defenda direitos fundamentais e atenda ao interesse público, além da regulamentação de plataformas de jogos e ambientes digitais.
