A senadora eleita por Minas Gerais, Marília Campos (PT), declarou em entrevista à CNN nesta segunda-feira (26) que não representa novidade o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recusar-se a reconhecer o resultado das urnas. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito do último domingo (25).
De acordo com a senadora eleita, a vantagem de votos obtida por Lula sobre Flávio foi expressiva, alcançando uma diferença de 4 milhões de sufrágios, o que, em sua avaliação, torna o resultado incontestável. "Foram 4 milhões de votos a mais. Acho que devemos seguir em frente e esperar os próximos passos deles. Eles têm uma dificuldade grande de respeitar o resultado", afirmou.
Marília também recordou a tentativa de golpe de Estado articulada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a transição governamental após sua derrota para Lula, apontando que o setor bolsonarista já havia questionado o processo eleitoral naquela ocasião, provocando um impacto severo à democracia.
Reações e contestações sobre o pleito
Após o término da votação de domingo, que garantiu um quarto mandato inédito a Lula, Flávio Bolsonaro declarou rejeição ao resultado das urnas e anunciou que ingressará com um pedido de anulação das eleições. O parlamentar argumenta que a determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prorrogar o fechamento das urnas em duas horas em território nacional comprometeria a validade do pleito, citando ocorrências de escassez de transporte público e filas prolongadas em municípios como São Paulo e Salvador. Contudo, a própria campanha de Flávio havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão de duas horas na votação para localidades atingidas por fortes tempestades.
Desafios de governabilidade e panorama no Congresso
Durante a entrevista, Marília Campos comentou os obstáculos que Lula precisará administrar a partir de 2027 diante de um Congresso Nacional com forte oposição, especialmente no Senado Federal. O PL elegeu 19 senadores em 2026, totalizando 28 parlamentares na Casa Alta e assegurando a maior bancada para a próxima legislatura. O PT, por sua vez, elegeu seis nomes e contará com nove parlamentares.
"Lula teve dificuldade de governabilidade [do mandato atual], mas isso não impediu que aprovasse a PEC do fim da escala 6x1, vários projetos no Senado, como a política de minerais raros, fim das bets. Claro que temos eleitos, mas a direita tem fissuras, tem divergências", avaliou a senadora.
Por fim, a parlamentar eleita pontuou que o espectro político bolsonarista emergiu enfraquecido do pleito, apesar de ampliar sua representatividade no Legislativo, devido à falha em conquistar a Presidência da República.
