A Europa registrou um novo fim de semana de manifestações em mais de cinco países, impulsionadas por reivindicações comuns como o aumento do custo de vida, a crise habitacional e a falta de verbas para a educação. Embora a maioria dos atos tenha ocorrido de forma pacífica, houve registro de confrontos e detenções em várias nações.
Na França, cerca de 1.000 pessoas foram detidas em todo o território nacional no sábado (24), segundo informou o Ministério do Interior. O ministro Laurent Nuñez declarou a jornalistas que a manifestação em Paris transcorreu de forma pacífica, assim como a maioria das marchas no país, mas destacou que as forças de segurança enfrentaram um nível extremamente elevado de violência, com lançamento de projéteis e disparos de fogos de artifício do tipo morteiro. Cerca de 70 mil policiais foram mobilizados na operação de segurança, que contou com unidades especiais, helicópteros, veículos blindados, cães policiais e canhões de água. O Ministério do Interior apontou que mais de 410.000 manifestantes foram às ruas no sábado, sendo cerca de 110.000 apenas em Paris. Confrontos e episódios de violência também foram registrados em Marselha, Bordeaux e Nice — onde dezenas de ativistas de extrema-direita atacaram manifestantes pacíficos, conforme a BFMTV. Jean-Luc Mélenchon, líder do partido "França Insubmissa", alertou que novas mobilizações podem ocorrer em 5 de novembro caso o presidente Emmanuel Macron não responda às demandas.
Na Espanha, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Madri no sábado para exigir a proteção das pensões públicas, de acordo com a emissora RTVE. Em Barcelona, a secretária de Assuntos Internos da Catalunha, Núria Parlon, informou que 128 pessoas foram presas após tumultos e saques que envolveram cerca de 600 indivíduos na região central da Plaza de Catalunya. O prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, afirmou que o episódio pode estar relacionado a convocações feitas em outras capitais europeias. A ocorrência deixou 14 policiais feridos, sendo quatro gravemente, e resultou na vandalização de 23 estabelecimentos comerciais.
Em Portugal, a polícia informou ter desmantelado acampamentos montados por manifestantes no centro de Lisboa e do Porto em protesto contra a crise habitacional no país.
Na Itália, cidades como Roma, Milão e Nápoles reforçaram a segurança com centenas de militares devido a receios de saques, com revistas e confiscos de objetos. Em Turim, Bolonha e Florença, houve confrontos com as forças de segurança, que usaram cassetetes e gás lacrimogêneo.
Na Albânia, manifestantes em Tirana exigiram mais apoio à educação e a renúncia do primeiro-ministro, incendiando lixeiras e arremessando pedras e bombas de gás lacrimogêneo. Na Bélgica, estudantes montaram barricadas em Bruxelas e a polícia utilizou um caminhão com jato de água para dispersar a multidão, segundo a emissora VRT.
