O acúmulo em massa de uma alga marinha chamada sargaço tem transformado a paisagem de praias paradisíacas no Caribe mexicano, gerando o fenômeno conhecido como “mar de chocolate”. O problema afeta a Riviera Maya e o estado de Quintana Roo, alterando o cenário visual e provocando um odor característico de ovo podre decorrente da matéria orgânica em decomposição.
O processo libera gás sulfeto de hidrogênio, uma substância tóxica que acende alertas voltados à saúde pública e à preservação do meio ambiente na localidade. De acordo com cientistas, a proliferação acelerada do sargaço está relacionada ao aquecimento das águas oceânicas. Enquanto o ciclo de aparição das algas costumava durar de dois a três meses, atualmente o período crítico se estende por até nove meses anualmente.
Projeções realizadas por autoridades ambientais apontam que o volume de algas recolhido nas praias deve ultrapassar 131 mil toneladas até o encerramento do ano, superando a marca recorde anterior de 105 mil toneladas. A decomposição do sargaço acontece entre 24 e 48 horas após alcançar a costa, intervalo em que ocorre a liberação do sulfeto de hidrogênio. Além disso, o material pode filtrar metais pesados, a exemplo do arsênio, para a faixa de areia, causando impactos na biodiversidade da região.
Brian LaPointe, professor vinculado ao Harbor Branch Oceanographic Institute da Universidade Atlântica da Flórida, aponta a urgência de integrar sistemas de observação via satélite com intervenções coordenadas.
Prejuízos financeiros e impactos no turismo
A crise do sargaço atinge de forma direta a economia da região caribenha. Segundo o vereador de Tulum, Elheno Barbacano, a diminuição no fluxo de visitantes é severa, causando prejuízos para o setor hoteleiro, restaurantes e o comércio em geral.
Para tentar amenizar os prejuízos estéticos e operacionais, equipes de trabalhadores executam diariamente a remoção manual e mecânica das algas nas praias afetadas. Dados do governo de Quintana Roo indicam que o gerenciamento do sargaço demanda custos de cerca de US$ 2 bilhões por ano, montante equivalente a aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.
Diante do cenário, especialistas enfatizam que a adoção de modelos voltados à previsão e à mitigação prévia é essencial para enfrentar os impactos contínuos que atingem o ecossistema e a economia do Caribe.
