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Fim da era Trump não significará o fim do protecionismo comercial nos EUA

A saída de Donald Trump da presidência dos EUA em 2029 não garante o fim do protecionismo comercial americano, mantido por fatores políticos e burocráticos.

Redação•04 de nov. de 2026, 20:30
Fim da era Trump não significará o fim do protecionismo comercial nos EUA
Imagem: site

Fim da era Trump não significará o fim do protecionismo comercial nos EUA

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A derrota dos republicanos nas eleições legislativas americanas aponta para o encerramento da era Trump, com o presidente Donald Trump deixando o poder obrigatoriamente a partir de janeiro de 2029, devido à proibição constitucional de uma terceira reeleição. Sem maioria no Congresso, ele não tem como alterar essa regra ou ampliar seus poderes, encerrando seu ciclo em dois anos, mesmo que consiga eleger um sucessor.

Especialistas e parceiros comerciais dos Estados Unidos, no entanto, são alertados para moderar expectativas de retorno ao passado de economia aberta. A herança do protecionismo econômico tende a persistir, conforme demonstrado pelo precedente deixado por Joe Biden durante sua presidência entre 2021 e 2025.

O fator Biden e a continuidade das barreiras

Embora tenha criticado a guerra comercial do primeiro mandato de Trump (2017-2021), Joe Biden manteve grande parte das tarifas aplicadas contra a China e elevou a proteção em setores como veículos elétricos e células solares. No setor de aço e alumínio, o governo democrata negociou flexibilizações com aliados sem revogar as barreiras. Esse cenário foi definido por James Bacchus, ex-dirigente da Organização Mundial do Comércio (OMC), como um "protecionismo polido", que alterou o tom, mas preservou a disposição protecionista.

A resistência à abertura comercial por parte dos democratas é atribuída à influência dos sindicatos no partido e à pressão exercida por fabricantes de aço em estados decisivos. O apelo eleitoral de defender uma indústria local contra a concorrência estrangeira contrasta com a dificuldade de explicar os ganhos difusos da redução de tarifas para o eleitorado.

Disputa com a China e obstáculos burocráticos

A rivalidade hegemônica entre Washington e Pequim e o nacionalismo econômico também funcionam como forças motrizes para a manutenção de taxas elevadas. Um futuro sucessor democrata pode adotar uma postura diplomática menos hostil com aliados tradicionais, mas ainda considerar vantajoso proteger setores estratégicos da concorrência chinesa.

Apesar da pressão corporativa e política para baixar tarifas visando o controle da inflação, eventuais cortes tendem a ser seletivos para evitar confrontos amplos com setores protegidos, o que difere de uma restauração do livre-comércio.

O desmonte das barreiras enfrenta ainda barreiras na máquina administrativa. Ao longo de seus mandatos, Trump instituiu um emaranhado de medidas sobrepostas por nação e setor, além de exceções e exigências atreladas a compromissos corporativos:

  • A Suprema Corte invalidou tarifas baseadas em poderes de emergência, mas o governo recorreu a outras autorizações legais, incluindo mecanismos de investigação prévia.
  • A legislação vigente para modificar ou encerrar medidas da Seção 301 impõe a consulta ao setor doméstico envolvido, audições com interessados e notificações ao Congresso.
  • A burocracia e os procedimentos legais asseguram aos beneficiários das proteções canais para resistir, tornando a execução de mudanças trabalhosa e politicamente custosa.

Além disso, as tarifas geram receitas e servem de instrumento de barganha em negociações mais amplas. Um novo presidente pode preferir negociar a retirada de taxas em troca de contrapartidas, justificando a preservação das barreiras sob a ótica da defesa dos interesses nacionais, em vez da adesão a Trump.

Para o Brasil e outros parceiros comerciais, confiar apenas na transição na Casa Branca para extinguir tarifas adicionais representa ignorar que os interesses econômicos consolidados tendem a sobreviver ao fim da administração do atual presidente americano.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/diogo-schelp/fim-da-era-trump-nao-acabara-com-novo-protecionismo-americano/

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