Nesta quinta-feira (21), os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentram suas atividades em agendas internas em Brasília. Os dois comitês buscam alinhar estratégias de reta final de segundo turno — compreendendo atos, discursos e redes sociais — e intensificar os preparativos para o debate presidencial da TV Globo, agendado para sexta-feira (22), no Rio de Janeiro.
Estratégia e movimentações de Flávio Bolsonaro
O candidato do PL dedica o dia a reuniões com aliados e responsáveis por sua comunicação na capital federal, contando com a presença do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sem compromissos públicos diurnos, Flávio tem prevista para as 19h a realização de uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, repetindo seu hábito semanal de quintas-feiras.
Na sexta-feira, a expectativa é que o senador permaneça sem compromissos públicos, já instalado no Rio de Janeiro para seguir com os preparativos do confronto final com o adversário petista. O candidato encerrou os atos de rua em São Paulo e no Nordeste após passagens por Guarulhos e Fortaleza na quarta-feira (20). Até sábado (24), véspera do pleito, as próximas cidades previstas no roteiro de visitas são Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Preservação vocal e movimentações da campanha de Lula
O presidente Lula permanece no Palácio da Alvorada sem agendas públicas externas. A equipe petista optou por suspender gravações e cancelar uma entrevista que seria concedida à TV Record na quarta-feira para preservar a voz do candidato, que apresentou sinais de rouquidão durante compromissos recentes — incluindo uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto e uma caminhada em Belo Horizonte. Segundo apuração, o mandatário é acompanhado por uma fonoaudióloga para assegurar sua resistência física e vocal ao longo do ritmo de campanha.
Enquanto o presidente permanece recolhido, representantes da campanha de Lula comparecem nesta quinta-feira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para responder ao desafio sobre a derrubada de sigilos imposto entre as partes.
O "duelo de sigilos" e as exigências cruzadas
O embate em torno de sigilos ganhou centralidade na disputa a três dias do segundo turno, após ter sido lançado por Lula no debate da Band realizado no domingo (18). Na terça-feira (20), o petista protocolou autorização no TSE e no STF para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, condicionando a medida a ato idêntico do opositor.
Em petição enviada na quarta-feira ao ministro André Mendonça, no TSE, Flávio Bolsonaro classificou a oferta inicial como "gaveta vazia" e autorizou a quebra de seus sigilos por um período de 20 anos, englobando dados bancários, fiscais, telefônicos, de empresas das quais é sócio ou administrador, além de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em contrapartida, o senador impôs uma lista com 20 condições, exigindo a abertura de sigilos e registros de aliados e familiares do adversário.
Entre as principais exigências apresentadas por Flávio constam:
- Marcola: Quebra dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos últimos oito anos do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro.
- Janja: Disponibilização da agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, de registros de visitas dos filhos de Lula ao Alvorada, uso de helicóptero e despesas do palácio.
- Cartão corporativo: Acesso a todas as despesas da Presidência registradas desde janeiro de 2023.
- Daniel Vorcaro: Divulgação de registros da reunião de Lula com o banqueiro realizada em 4 de dezembro de 2024 (que não teria gerado ata oficial), além do histórico de entradas do empresário e intermediários no Planalto e no Alvorada desde 2023.
- Roberta Luchsinger: Informações sobre acessos aos palácios, voos da FAB e reuniões governamentais, acompanhadas dos sigilos da lobista e de sua empresa.
- Filhos de Lula: Abertura de dados de empresas ligadas a Fábio Luís (Lulinha) e demais filhos, incluindo uma offshore na Espanha atribuída a Lulinha.
- Frei Chico: Acesso a dados bancários, fiscais e telefônicos do irmão do presidente e do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), do qual é vice-presidente.
O senador Camilo Santana, integrante da coordenação da campanha petista, afirmou que o presidente aceitará integralmente as condições estipuladas, contanto que o parlamentar do PL cumpra sua parte. Em nota divulgada à noite, a coordenação de Lula confirmou o comparecimento ao TSE nesta quinta-feira para protocolar a resposta oficial e aguardar que a equipe do senador efetive a abertura dos dados solicitados.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro declarou em nota que recebe "com entusiasmo" a sinalização de que o concorrente abrirá a "caixa-preta do Planalto", manifestando expectativa de que o compromisso seja cumprido. O texto do senador não confirmou se representantes comparecerão fisicamente ao tribunal nesta quinta para formalizar a abertura de seus próprios sigilos.
