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Flávio Bolsonaro recua em carta e retira trecho em que se dizia presidente do Brasil

Derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro divulgou carta com acusações de fraude, mas recuou e retirou trecho em que se autoproclamava presidente.

Redação•28 de out. de 2026, 19:30
Flávio Bolsonaro recua em carta e retira trecho em que se dizia presidente do Brasil
Imagem: site

Flávio Bolsonaro recua em carta e retira trecho em que se dizia presidente do Brasil

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Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, divulgou uma carta nesta quarta-feira (28) na qual inicialmente se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos mais tarde, o senador republicou o material nas redes sociais sem esse trecho. No documento, ele confirma estar nos Estados Unidos com a família e assegura que comandará a oposição a partir do exterior.

O candidato foi derrotado no segundo turno, realizado no domingo (25), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme o balanço oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio registrou 59.826.041 votos, ou seja, 48,21%. A diferença entre os concorrentes foi de 4,4 milhões de votos.

Na carta, o senador escreveu ter visto estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar na noite de domingo, embora o texto não apresente provas de irregularidades na votação ou na apuração. Um dos pontos levantados é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação até as 19h. Flávio argumenta que a medida permitiu que Lula somasse mais de 10 milhões de votos de vantagem entre o primeiro e o segundo turno, uma tese refutada pelos dados oficiais.

Em nota publicada na terça-feira (27), o TSE detalhou que 32.399 votos foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h, e apenas 13 após as 19h. Dos 497.333 locais de votação, 437.065 encerraram os trabalhos até as 17h10. O órgão destacou que mesmo se todos os votos do horário adicional fossem destinados a Lula, representariam menos de 1% da margem final. Além disso, o crescimento do petista é atribuído a fatores aritméticos: no primeiro turno, cerca de 9,3 milhões de votos válidos foram direcionados a outros nomes, a abstenção caiu de 21,08% para 19,21% no segundo turno, e o total de votos válidos cresceu em cerca de 4,8 milhões, sendo divididos entre os finalistas.

A prorrogação da votação havia sido solicitada pela coligação de Lula devido a problemas no fluxo de ônibus em diversos municípios. A própria campanha de Flávio também havia pedido ao TSE a extensão do horário em São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina por causa de condições climáticas desfavoráveis, menção que ficou de fora da carta.

Reconhecimento de aliados e o cenário institucional

O resultado do pleito foi proclamado pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado ao STF em 2020 por Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Após a proclamação, o ministro declarou que nenhuma alteração decorreu da decisão judicial e manifestou confiança no processo eleitoral. O diretório nacional do PL, liderado por Valdemar Costa Neto, emitiu nota reconhecendo o resultado oficial. O candidato a vice na chapa, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), e aliados como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e o dirigente do União Brasil, Antonio Rueda, também reconheceram a vitória de Lula.

A estrutura textual da carta aproximou a estratégia do senador da adotada pelo venezuelano Juan Guaidó em 2019, citado nominalmente no documento. Embora a retirada da frase sobre a presidência tenha evitado uma autoproclamação formal, a tese de fraude e a promessa de atuar de fora do país foram mantidas. O texto lista ainda outros nomes associados a atuações no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Edmundo González e María Corina Machado. "Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil", escreveu o senador.

Passaportes e inquérito

O documento também menciona o ministro Alexandre de Moraes, sem citá-lo nominalmente, acusando-o de acionar a máquina de perseguição política logo após o pleito. Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio à Polícia Federal no contexto de um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Na terça-feira (27), a corporação cancelou os passaportes comum e diplomático do senador, que já havia deixado o território brasileiro. Na carta, Flávio afirma não existir mandado de prisão contra sua pessoa.

Ao finalizar o texto, o senador direcionou recados a parlamentares e governadores aliados, mencionando Rogério Marinho (PL-RN) como seu candidato à presidência do Senado, e prometeu seguir liderando a oposição e se comunicando com a população por meios pacíficos e legítimos. O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado Federal estende-se até fevereiro de 2027.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/flavio-recua-em-carta-com-teor-golpista-e-se-diz-lider-do-brasil/

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