Membros do Partido dos Trabalhadores (PT) estão exigindo um pronunciamento oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta às acusações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição realizada no último domingo (25).
Em uma carta divulgada publicamente, o parlamentar alegou, sem apresentar evidências, que presenciou a concretização de uma fraude eleitoral. Inicialmente, o texto preparado por Flávio continha uma versão na qual ele se autointitulava presidente eleito do país, termo posteriormente retificado para líder.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, criticou duramente a postura do senador. Segundo ele, o TSE precisa se manifestar de forma urgente e firme. Valadares pontuou que o parlamentar mentiu, contestou o resultado oficial divulgado pela Justiça Eleitoral e deve ser responsabilizado por seus atos.
Para o representante petista, a atitude de se autoproclamar presidente e questionar o pleito configura crime de responsabilidade, cuja pena prevê a perda do mandato e a cassação dos direitos políticos. Éden também apontou que a contestação ocorre de maneira coordenada com a propagação em massa de inverdades sobre fraude, defendendo que o senador seja investigado por desinformação contra a integridade do processo eleitoral e por denunciação caluniosa.
Em reação à carta, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, afirmou que o pleito ocorreu com absoluta normalidade, respeitando rigorosamente os preceitos legais e constitucionais.
Ausência de veracidade nas teses de fraude
Especialistas e análises apontam que a teoria de fraude levantada por Flávio Bolsonaro e por setores do bolsonarismo é inverídica por dois principais fatores:
- Volume de votos após prorrogação: Menos de 40 mil votos foram computados depois que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão da votação até as 19h. A prorrogação havia sido solicitada tanto pelo PT quanto pela campanha de Flávio. Entre o primeiro e o segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua votação em quase 11 milhões de sufrágios, enquanto Flávio obteve 3 milhões a mais, resultando em uma diferença final de cerca de 4,4 milhões de votos.
- Explicação aritmética: No primeiro turno, cerca de 9,3 milhões de votos válidos foram destinados a outros concorrentes. No segundo turno, a abstenção recuou de 21,08% para 19,21%, e o total de votos válidos cresceu em cerca de 4,8 milhões. Esse montante de 14,1 milhões de votos foi distribuído entre os dois finalistas: Lula obteve 10,4 milhões e Flávio conquistou 3,7 milhões.
Adicionalmente, Marinho negou a existência de provas de fraude nas eleições. O PT também manifestou preocupação com um possível "efeito Guaidó" envolvendo a presença do senador nos Estados Unidos. Por sua vez, Donald Trump declarou que os EUA permitiram a entrada de Flávio no país, mas ressaltou que não pretende se envolver no assunto.
