O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Argentina alcançaram um acordo nesta terça-feira (27) que prevê a liberação de aproximadamente US$ 900 milhões, o equivalente a R$ 4,8 bilhões. Contudo, a efetivação do repasse permanece subordinada à aprovação do conselho executivo da instituição.
A quantia integra o programa de financiamento de US$ 20 bilhões estabelecido entre a Argentina e o FMI no ano de 2025. O repasse está condicionado à terceira revisão do programa, mecanismo por meio do qual o fundo valida o cumprimento das metas pactuadas com o governo argentino.
De acordo com a avaliação divulgada pelo FMI, a economia da Argentina registrou progressos desde a análise anterior, com destaque para a manutenção da desaceleração da inflação e o crescimento das reservas internacionais acima das projeções do programa.
Impacto econômico e reservas
Na prática, os recursos direcionados pelo acordo auxiliam na consolidação das reservas internacionais argentinas. Esse montante em dólares cumpre um papel fundamental para a quitação de compromissos externos e confere maior margem para a gestão do governo liderado pelo presidente Javier Milei na flexibilização das restrições associadas à moeda americana.
A instituição financeira apontou em seu comunicado desta terça-feira que as reservas internacionais líquidas ultrapassaram a meta estipulada para o final de junho em cerca de US$ 4 bilhões, enquanto o Banco Central acumulou compras de quase US$ 16 bilhões ao longo do ano.
Histórico de repasses e metas fiscais
Desde o início da vigência do programa de US$ 20 bilhões, o FMI já repassou cerca de US$ 15,8 bilhões à Argentina, divididos nos seguintes marcos:
- Abril de 2025: US$ 12 bilhões liberados no momento da aprovação do programa.
- Julho de 2025: Cerca de US$ 2 bilhões após a conclusão da primeira revisão.
- Maio de 2026: Cerca de US$ 1 bilhão após a validação da segunda revisão.
- Outubro de 2026: Cerca de US$ 900 milhões atualmente pendentes de aprovação pelo conselho.
No âmbito fiscal, o FMI indicou que a administração argentina deve almejar um superávit primário de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de 2026, mantendo patamar similar no exercício de 2027. O conceito refere-se à arrecadação superior aos gastos, desconsiderando o pagamento de juros da dívida.
Para o horizonte dos próximos meses, o fundo ressaltou que a Argentina precisará seguir fortalecendo seus ativos internacionais e procurando alternativas de financiamento, com o compromisso das autoridades locais em preparar o retorno do país ao mercado internacional.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/27/acordo-fmi-argentina.ghtml
