NewsHub
Mundo

França mobiliza forças de segurança e enfrenta nova onda de protestos

Governo francês mobiliza cerca de 70 mil policiais para novos protestos e greves de servidores públicos previstos para esta quinta-feira (5).

Redação•05 de nov. de 2026, 03:30
França mobiliza forças de segurança e enfrenta nova onda de protestos
Imagem: site

França mobiliza forças de segurança e enfrenta nova onda de protestos

Ouça esta matéria em voz alta

A França se prepara para enfrentar novas manifestações em massa e paralisações de servidores públicos nesta quinta-feira (5). O movimento representa um novo teste para o governo do presidente Emmanuel Macron, ocorrendo a apenas cinco meses da eleição presidencial e após semanas marcadas por forte instabilidade política.

A mobilização atual foi convocada por centrais sindicais, incluindo a de esquerda CGT, e conta com o apoio de grupos estudantis. Os atos ocorrem na sequência de protestos anteriores centrados no custo de vida, na educação e nos serviços públicos, que resultaram nos piores conflitos civis vistos no país em anos.

Medidas de segurança e mobilização policial

Diante do cenário, as autoridades francesas anunciaram a mobilização de aproximadamente 70 mil policiais em todo o território nacional. A medida ocorre após tumultos e saques registrados no dia 17 de outubro surpreenderem as forças de segurança, causando danos a edifícios públicos e lojas e gerando críticas à condução da crise pelo governo de Macron.

Em coletiva de imprensa após a reunião do conselho de ministros realizada nesta quarta-feira (4), a porta-voz do governo, Maud Bregeon, declarou: "Estamos extremamente vigilantes porque está fora de cogitação reviver o 17 de outubro". O serviço de inteligência interno da França estima que entre 500 mil e 700 mil pessoas participem dos protestos fora de Paris, conforme informações da BFM TV.

Greves nos transportes e na educação

As paralisações afetam diversos setores estratégicos. O Ministério da Educação apontou que 17,5% dos professores da rede pública de ensino fundamental devem aderir à greve desta quinta-feira. Além disso, sindicatos alertaram para a ocorrência de paralisações nos serviços ferroviários e no transporte público.

O setor de energia também deve integrar o movimento paredista, com adesão prevista de sindicatos da estatal EDF. Uma greve anterior no setor, ocorrida em meados de setembro, provocou redução no fornecimento de eletricidade e afetou a capacidade de entrega no terminal de gás natural liquefeito Dunkirk LNG.

Estudantes também confirmaram participação nas marchas. A estudante Irma de Banville, de 19 anos, relatou em Paris a apreensão em relação à segurança: "Estamos tentando nos manter mobilizados o máximo possível. Algumas pessoas não estão participando porque têm medo. Muita gente tem medo da violência policial". O governo francês defendeu as táticas adotadas pela polícia, pontuando que eventuais abusos serão investigados.

Reunião de crise e panorama político

Nesta quarta-feira, Macron convocou uma reunião de defesa e segurança para discutir o avanço das manifestações, que evoluíram de insatisfações estudantis com as condições escolares para um desafio político de maior proporção.

Um funcionário próximo ao presidente avaliou que o objetivo nas próximas semanas é acalmar o cenário e viabilizar a eleição presidencial em condições estáveis, destacando que o número de escolas de ensino médio bloqueadas nesta semana é menor em comparação ao estágio anterior da crise. Embora os protestos do último sábado tenham ocorrido de forma majoritariamente pacífica, com confrontos isolados, o clima político segue tenso com a movimentação de candidatos e partidos de oposição em meio à insatisfação popular com as políticas governamentais e o padrão de vida.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/franca-se-prepara-para-novos-protestos-e-macron-convoca-gestao-de-crise/

Compartilhar