O secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, afirmou que a atuação do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários da capital baiana foi responsável pelos atrasos na frota de ônibus municipais no dia do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo o economista, que integra a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil), apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordaram os veículos para colar adesivos de campanha.
De acordo com o titular da pasta, o sindicato realizou uma ação sistemática em treze garagens simultaneamente por volta das 9h e 9h30, o que gerou impactos operacionais na circulação dos coletivos. O secretário declarou que materiais como fotos, vídeos e áudios serão encaminhados às autoridades para a apuração de crimes eleitorais e propaganda ilegal. Souza também mencionou o vazamento de um áudio atribuído ao presidente do sindicato como comprovação de uma ação coordenada em prol da campanha petista.
Em nota oficial, o sindicato negou qualquer responsabilidade sobre os atrasos na votação, rejeitou acusações infundadas e afirmou que defende a transparência e a representação da categoria. A entidade destacou que não aceitará tentativas de deslegitimar a atuação dos trabalhadores.
O secretário ressaltou que a prefeitura não cometeu irregularidades e que cerca de mil ônibus circularam no último domingo, 25. Questionado sobre os reflexos na eleição, Souza apontou que Salvador registrou queda na abstenção — que passou de 20% para 15%, resultando em 85.000 eleitores a mais comparecendo às urnas — e reiterou que a frota disponibilizada foi a mesma do primeiro turno.
Servidor de carreira, Souza teve a prisão decretada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) devido aos transtornos no sistema de transporte, mas a ordem foi revogada na sequência, enquanto ele retornava de Paris, onde participava de um evento a convite do presidente francês Emmanuel Macron. O secretário afirmou que não houve nenhuma diretriz do prefeito Bruno Reis para prejudicar qualquer candidato e classificou a postura da prefeitura como democrática, citando a adoção de transporte gratuito.
