NewsHub
Mundo

Guerra dos Mundos no rádio: mito e verdade sobre a invasão alienígena

Transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos em 1938 virou lenda sobre pânico nos EUA, mas pesquisas mostram que impacto foi menor.

Redação•30 de out. de 2026, 10:30
Guerra dos Mundos no rádio: mito e verdade sobre a invasão alienígena
Imagem: site

Guerra dos Mundos no rádio: mito e verdade sobre a invasão alienígena

Ouça esta matéria em voz alta

Na noite de 30 de outubro de 1938, véspera de Halloween, a transmissão de uma adaptação radiofônica do romance A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, entrou para a história como um evento que teria provocado histeria coletiva nos Estados Unidos. Dirigida por Orson Welles, então com 23 anos, a peça foi ao ar às 20h pela rede CBS, na série "The Mercury Theatre on the Air". No entanto, pesquisas históricas revelam que a repercussão real foi bem menos dramática do que a lenda construída posteriormente.

Como foi feita a transmissão

Diferente de uma encenação tradicional, o programa substituiu o cenário original da Inglaterra do século 19 pela pequena Grover’s Mill, em Nova Jersey, e foi narrado no formato de uma cobertura jornalística urgente. O roteiro simulava boletins sobre explosões em Marte e a queda de um objeto misterioso em uma fazenda. Repórteres descreviam uma multidão diante de uma cratera, autoridades faziam declarações e a transmissão era interrompida nos momentos de maior tensão.

Em depoimento judicial em 1960, Orson Welles afirmou que seu objetivo era fazer com que uma crise parecesse real. Pesquisadores como A. Brad Schwartz, autor de "Broadcast Hysteria", apontam que a equipe não pretendia enganar ninguém, pois achava a história improvável. Detalhes de produção, como a imitação da voz de um repórter cobrindo o desastre do dirigível Hindenburg pelo ator Frank Readick, ruídos criados pela chefe de efeitos sonoros Ora Nichols e a imitação do presidente Franklin Roosevelt pelo ator Kenneth Delmar, ajudaram a dar realismo à cena.

Audiência e o mito do pânico

Dados de mídia resgatados pelos professores Jefferson Pooley e Michael J. Socolow indicam que a maioria das pessoas não ouviu o programa. Uma pesquisa do instituto C.E. Hooper realizada em 5 mil domicílios apontou que apenas 2% ouviam a peça ou algo semelhante, sem menção a um noticiário. O programa concorria com a atração humorística do ventríloquo Edgar Bergen, e emissoras importantes, como a WEEI de Boston, não o transmitiram.

Registros de época também desmentem boatos de debandadas, suicídios e hospitais lotados. Nenhum jornal registrou suicídios comprovados, e levantamentos em hospitais de Newark e Nova York não encontraram pacientes atendidos por choque devido à transmissão. Uma ouvinte processou a CBS em 50 mil dólares por abalo nervoso, mas a ação foi arquivada.

O papel dos jornais e estudos acadêmicos

A reação da imprensa ajudou a consolidar o mito. Jornais publicaram editoriais alarmistas e capas sobre o terror no rádio, apesar de relatos como o do crítico Ben Gross apontarem ruas vazias em Manhattan. O historiador W. Joseph Campbell observou que o assunto sumiu rapidamente das primeiras páginas.

Em 1940, o psicólogo Hadley Cantril publicou o livro "The Invasion from Mars", estimando que 1 milhão de pessoas se assustaram, apoiando-se em pesquisa feita seis semanas depois. Para Pooley e Socolow, o estudo tratou ouvintes assustados ou empolgados como se estivessem em pânico, mas a obra permanece como a única fonte acadêmica a sustentar a tese de grande repercussão.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/guerra-dos-mundos-um-especial-de-halloween-transmitido-no-radio-fez-um-estado-inteiro-acreditar-que-estava-sendo-invadido-por-alienigenas/

Compartilhar