As comemorações de Halloween nos Estados Unidos estão marcadas por custos mais altos e maior sensibilidade dos consumidores em relação aos preços. Na loja Total Party, em Washington, D.C., as fantasias para adultos ficaram cerca de US$ 10 mais caras, passando a custar entre US$ 50 e US$ 70. Segundo o proprietário Lorenzo Caltagirone, o encarecimento decorre de custos de licenciamento, dos materiais e, principalmente, das tarifas do governo Trump sobre a importação de produtos. Caltagirone aponta que 95% das fantasias de seu estoque vêm da China, enquanto o restante é importado do Vietnã, com poucas peças fabricadas nos EUA. Além disso, os custos de frete registraram alta de pelo menos 20% no último ano.
Diante dos valores elevados, alguns clientes têm buscado alternativas. Um grupo de universitários que pretendia se vestir de Minions optou por comprar apenas acessórios como óculos de proteção, luvas e chapéus em vez de gastar US$ 60 por peça. David Perez, de 36 anos, optou por gastar cerca de US$ 20 em acessórios para uma fantasia improvisada de padre, já que a versão completa custava entre US$ 30 e US$ 40. Por outro lado, Caltagirone relata que ainda existem consumidores dispostos a pagar valores mais altos na seção de alto padrão, onde trajes como camisas de pirata ou roupas coloniais chegam a US$ 300, e que há busca por fantasias licenciadas de marcas como o Ghostface e o Homem-Aranha.
A Total Party também tem enfrentado uma redução no fluxo geral de clientes. A mudança de local da loja em abril de 2025 — de Crystal City, na Virgínia, para o L'Enfant Plaza, em Washington, D.C. — coincidiu com as demissões federais em massa promovidas pelo governo Trump em 2025, o que diminuiu a base de trabalhadores regionais que costumavam frequentar o estabelecimento para artigos de festa e cartões de felicitações.
Apesar da cautela, a National Retail Federation (NRF) projeta que os americanos gastem US$ 4,4 bilhões em fantasias, alta de 2% em relação ao ano passado. Allison Zeller, vice-presidente de Insights do Setor e do Consumidor da NRF, afirmou que o Halloween continua sendo uma prioridade de gastos, embora os consumidores encarem a temporada com os custos em mente. A estimativa total da NRF é de que os gastos com a data cheguem a US$ 13,5 bilhões, cerca de US$ 400 milhões a mais do que no ano anterior, com uma média de US$ 115,14 por pessoa, superando os US$ 103,63 registrados em 2024.
O encarecimento também atinge outros itens tradicionais da data, como os doces. Os americanos devem gastar US$ 4,1 bilhões em guloseimas, com preços até 15% superiores aos do ano passado, segundo o Groundwork Collaborative. Pacotes de fabricantes como Hershey e Ferrero subiram 19% devido ao impacto de condições climáticas nas lavouras de cacau na África Ocidental. David Branch, gerente de setor do Agri-Food Institute do Wells Fargo, afirmou que não prevê uma queda significativa no preço do cacau. O encarecimento de ingredientes como açúcar, xarope de milho e combustível também elevou o preço de outros doces, como as balas de goma da Mondelez, que subiram 39%.
Até mesmo as abóboras registraram leve alta. Na Round Hill Farm, próxima a Culpeper, na Virgínia, o proprietário Rob Faulconer aumentou o preço em 10 cents — para 80 cents por libra —, citando despesas com diesel e fertilizantes, embora tente manter os valores acessíveis para preservar a tradição das famílias na colheita.
