Um levantamento divulgado pelo banco de investimentos Itaú BBA aponta que um ajuste fiscal gradual no país tem o potencial de injetar 270,2 bilhões de reais na bolsa de valores brasileira. O estudo foi enviado a clientes em uma quarta-feira, 7, e assinado pelos analistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani.
De acordo com o relatório, o otimismo do mercado em relação ao primeiro turno da eleição presidencial pode ganhar fôlego caso a próxima gestão adote medidas efetivas para conter o crescimento da dívida pública. A adoção de uma política fiscal contracionista auxiliaria na contenção da demanda e da inflação. Paralelamente, o controle das contas estatais diminuiria a exigência de juros por parte dos investidores para financiar a União, permitindo que o Banco Central reduza a taxa Selic. Esse cenário estimularia a migração de recursos da renda fixa para a renda variável.
A projeção indica que os investidores estrangeiros seriam responsáveis por 45% do montante total, o equivalente a 121,6 bilhões de reais. O cálculo do Itaú BBA considera que cada acréscimo de 1 ponto percentual na participação do Brasil no MSCI Emerging Markets Index pode atrair 79,3 bilhões de reais. O índice global, gerido pela americana MSCI, engloba atualmente ações de 1.165 empresas de 24 países emergentes. Atualmente, o Brasil detém 4,1% da composição, figurando na quinta posição, atrás de Taiwan (28,9%), Coreia do Sul (21,4%), China (19,8%) e Índia (10,7%). Como fundos globais de grande porte, a exemplo de gestoras como BlackRock e Artemis, replicam o índice por meio de ETFs, uma melhora fiscal brasileira poderia motivar a MSCI a elevar o peso do país, gerando compras de papéis por parte dos fundos.
Os 55% restantes, estimados em 148,6 bilhões de reais, viriam do mercado doméstico. Os analistas apontam que as ações correspondem atualmente a apenas 7,6% do patrimônio total dos fundos nacionais, e calculam que cada aumento de 1 ponto percentual nessa fatia representaria um acréscimo de 113,2 bilhões de reais.
Embora o relatório não mencione nominalmente a disputa eleitoral — que tem no segundo turno o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), com 47% e 45% dos votos, respectivamente —, a discussão sobre o ajuste fiscal reflete o receio do mercado quanto à dívida pública, que passou de 72% para 83% do produto interno bruto ao longo do terceiro mandato de Lula.
O banco avaliou diferentes cenários econômicos:
- Pior cenário: manutenção da tendência atual de gastos, com taxa real de juros (descontada a inflação) em 8,5%.
- Cenário intermediário: ajuste fiscal moderado, com juros reais recuando para a faixa de 6,5% a 7%.
- Cenário otimista: juro real reduzido para 5% ao ano.
