O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como vergonhosa a partida de seu adversário nas eleições, Flávio Bolsonaro (PL), do Brasil em direção aos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira, 27, durante a comemoração do aniversário de 81 anos do presidente no Palácio do Alvorada. Aliados informaram que o senador deixou o país, e o Departamento de Estado americano assegurou que permitirá a entrada de Flávio e de sua família, concedendo-lhes vistos.
Durante o evento, Lula criticou duramente a atitude do parlamentar. “É impressionante a desfaçatez dele: quando mente, não desrespeita apenas a gente no debate, desrespeita as pessoas em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, declarou o presidente. Lula também mencionou que a Polícia Federal suspeitava da fuga e que inquéritos envolvem o senador: “Quando pediram para eu entregar meu passaporte, eu entreguei. Ele deveria ter entregado, porque a Polícia Federal tinha suspeita de que ele ia sair do Brasil e ele tem inquéritos. Mas, lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele; a primeira é lamber as botas dos Estados Unidos”.
O chefe do Executivo comparou a situação com sua própria trajetória e a de outros opositores em derrotas eleitorais passadas. “Veja, eu perdi eleição para o Collor e fiquei no Brasil. Perdi a eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes e fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim e ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim e ficou no Brasil”, pontuou. Lula acrescentou que recusou convites para buscar refúgio em embaixadas e preferiu enfrentar as acusações para provar sua inocência perante a Justiça e a Polícia Federal.
“Quem não deve não teme. O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa, tem medo”, afirmou Lula, lamentando que o senador não tenha permanecido no país para responder aos questionamentos e provar a falsidade das acusações veiculadas na imprensa.
Repercussão e contexto da viagem
A saída do senador foi confirmada nas redes sociais pelo senador eleito pelo Rio de Janeiro Carlos Jordy (PL). Na plataforma X, Jordy escreveu: “Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes”.
Na segunda-feira, 26, Flávio havia informado ter sido intimado pela Polícia Federal para entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Como o prazo limite, fixado para as 11 horas desta terça-feira, não foi cumprido pelo parlamentar, os documentos comuns e diplomáticos acabaram sendo cancelados.
