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Lula sanciona perdão de dívidas de MEIs e especialistas apontam erros que geram endividamento

Presidente Lula sanciona perdão de dívidas de MEIs que atinge débitos contraídos até 13 de outubro. Especialistas apontam erros que levam pequenos negócios ao vermelho.

Redação•21 de out. de 2026, 19:30
Lula sanciona perdão de dívidas de MEIs e especialistas apontam erros que geram endividamento
Imagem: site

Lula sanciona perdão de dívidas de MEIs e especialistas apontam erros que geram endividamento

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Nesta quarta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). A medida tem o potencial de aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, abrangendo débitos contraídos até 13 de outubro deste ano. A proposta pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com um montante de dívidas que soma aproximadamente R$ 12,6 bilhões.

Além do perdão de débitos, a nova proposta prevê a ampliação do limite anual de faturamento da categoria para R$ 140 mil em 2028, a permissão para a contratação de até dois funcionários sob determinadas condições e a extinção da nota fiscal para NanoMEIs. Contudo, especialistas ouvidos pelo g1 alertam que a medida não elimina os problemas estruturais que levam os pequenos negócios ao vermelho.

Fatores que levam os negócios ao endividamento

Conforme a análise de especialistas, o alto endividamento dos MEIs está ligado principalmente a três fatores:

  • Dificuldade de acesso a crédito adequado;
  • Falta de planejamento;
  • A mistura entre as contas pessoais e as da empresa.

Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, programas de renegociação tendem a aliviar o cenário de forma temporária se não forem acompanhados por mudanças na gestão financeira. O economista aponta que a falta de crédito barato e de educação financeira para separar a vida pessoal da empresarial são as principais causas do endividamento. O uso do caixa da empresa para cobrir despesas pessoais, como faturas de cartão de crédito e contas familiares, obriga o empreendedor a recorrer a empréstimos para manter a atividade.

Empreendedorismo por necessidade versus oportunidade

O economista também diferencia os negócios abertos por oportunidade — onde o empreendedor identifica uma demanda e estrutura o negócio — daqueles abertos por necessidade, que muitas vezes surgem sem planejamento como alternativa imediata de renda. Segundo Leal, o empreendedorismo por necessidade é visto frequentemente como um "bico" até o surgimento de algo melhor, o que reduz o planejamento e a resiliência. Apesar disso, ele ressalta que políticas de apoio devem ir além da renegociação, englobando a ampliação de linhas de crédito subsidiadas e o suporte do Sebrae.

Como separar as contas e identificar sinais de alerta

Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar, reforça que o dinheiro do negócio e o da família devem ser tratados como recursos diferentes, destacando que faturamento não se confunde com lucro. Quando há variação nas receitas mensais, o planejador recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para definir retiradas viáveis para os períodos mais fracos.

Entre os primeiros sinais de que as dívidas estão saindo do controle, citados por Maciel, estão:

  • Uso do cheque especial;
  • Pagamento parcial da fatura do cartão de crédito;
  • Contratação de um empréstimo para quitar outro;
  • Dependência de financiamento para toda compra de estoque.

O planejador recomenda observar o resultado após custos e despesas, o dinheiro para manter a operação, o total das dívidas com o peso de juros e parcelas, e o volume de recursos parados em mercadorias junto aos prazos de recebimento e pagamento.

Orientações para renegociação

Ao notar problemas nas contas, o empreendedor deve avaliar o custo das dívidas e as consequências de deixar de pagá-las, dando atenção a obrigações legais, impostos e salários de funcionários. Maciel destaca que o Custo Efetivo Total (CET) deve ser comparado, lembrando que prestações menores nem sempre resultam em um acordo mais barato no valor total.

Fonte: https://g1.globo.com/empreendedorismo/noticia/2026/10/21/perdao-de-dividas-de-meis.ghtml

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