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Marinha da Bolívia: entenda por que o país sem litoral mantém força naval

Mesmo sem litoral, a Bolívia mantém a Armada Boliviana para atuar em rios e lagos, preservando uma reivindicação histórica iniciada após a Guerra do Pacífico.

Redação•02 de nov. de 2026, 13:30
Marinha da Bolívia: entenda por que o país sem litoral mantém força naval
Imagem: site

Marinha da Bolívia: entenda por que o país sem litoral mantém força naval

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A Bolívia é um país sem saída para o mar desde o século XIX, mas mantém uma força naval composta por militares, embarcações e unidades especializadas conhecida como Armada Boliviana. Embora não possua litoral, a nação conta com uma ampla rede de rios e lagos, locais onde a instituição atua no patrulhamento, na fiscalização de fronteiras e em operações de segurança.

Além das funções operacionais, a corporação carrega uma importante reivindicação histórica. Desde que foi derrotada na Guerra do Pacífico, a Bolívia busca recuperar o acesso soberano ao oceano, meta que continua integrada à sua Constituição.

A perda do litoral boliviano

Até o século XIX, o território boliviano incluía uma faixa litorânea banhada pelo Oceano Pacífico. O cenário mudou em 1879, com o início da Guerra do Pacífico. Aliada ao Peru, a Bolívia entrou em conflito contra o Chile em uma disputa motivada pelo controle de territórios ricos em recursos minerais, com destaque para o salitre.

O desfecho desfavorável para os bolivianos resultou na perda da costa. A situação foi formalizada em 1904, por meio do Tratado de Paz e Amizade. O acordo concedeu o domínio da região ao Chile e assegurou à Bolívia direitos de trânsito comercial por portos e territórios chilenos, sem, contudo, restituir uma saída soberana ao mar.

As divergências seguiram marcando as relações diplomáticas bilaterais. Em 2013, o governo boliviano acionou a Corte Internacional de Justiça, sediada em Haia, para tentar forçar o Chile a negociar um acesso soberano ao Oceano Pacífico. Passados cinco anos, em 2018, o tribunal determinou que o governo chileno não possuía obrigação jurídica de negociar a questão.

Mesmo com a decisão da corte internacional, a reivindicação marítima permanece respaldada pela Constituição boliviana, enquanto a Armada segue incumbida de resguardar os interesses do país nas águas interiores.

Atuação atual da Marinha boliviana

Sem contar com acesso direto ao oceano, a Armada Boliviana concentra suas atividades em rios e lagos, com ênfase nas bacias do Prata e Amazônica, além do Lago Titicaca, mantido em conjunto com o Peru.

  • Fiscalização e segurança: Nos rios e lagos, os militares fiscalizam embarcações, combatem o contrabando e o tráfico de drogas, e executam missões de busca e salvamento.
  • Atuação na Amazônia: A unidade especializada Diablos Azules realiza patrulhamentos fluviais em áreas próximas à fronteira com o Brasil.
  • Assistência humanitária: A instituição também oferece suporte à população. Em 2025, apresentou 30 embarcações recuperadas para otimizar a fiscalização e o atendimento em situações emergenciais, como enchentes.
  • Cooperativismo internacional: No mês de setembro de 2026, forças militares da Bolívia e do Peru conduziram exercícios conjuntos no Lago Titicaca, focados em treinamentos de salvamento e no combate a ações ilícitas.

Tais operações demonstram que, além de simbolizar a demanda histórica por um acesso ao Pacífico, a Marinha boliviana executa papéis práticos na segurança e na preservação das águas interiores do território nacional.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/sem-saida-para-o-mar-por-que-a-bolivia-mantem-uma-marinha-historia-envolve-guerra-e-disputa-com-o-chile/

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