A Bolívia é um país sem saída para o mar desde o século XIX, mas mantém uma força naval composta por militares, embarcações e unidades especializadas conhecida como Armada Boliviana. Embora não possua litoral, a nação conta com uma ampla rede de rios e lagos, locais onde a instituição atua no patrulhamento, na fiscalização de fronteiras e em operações de segurança.
Além das funções operacionais, a corporação carrega uma importante reivindicação histórica. Desde que foi derrotada na Guerra do Pacífico, a Bolívia busca recuperar o acesso soberano ao oceano, meta que continua integrada à sua Constituição.
A perda do litoral boliviano
Até o século XIX, o território boliviano incluía uma faixa litorânea banhada pelo Oceano Pacífico. O cenário mudou em 1879, com o início da Guerra do Pacífico. Aliada ao Peru, a Bolívia entrou em conflito contra o Chile em uma disputa motivada pelo controle de territórios ricos em recursos minerais, com destaque para o salitre.
O desfecho desfavorável para os bolivianos resultou na perda da costa. A situação foi formalizada em 1904, por meio do Tratado de Paz e Amizade. O acordo concedeu o domínio da região ao Chile e assegurou à Bolívia direitos de trânsito comercial por portos e territórios chilenos, sem, contudo, restituir uma saída soberana ao mar.
As divergências seguiram marcando as relações diplomáticas bilaterais. Em 2013, o governo boliviano acionou a Corte Internacional de Justiça, sediada em Haia, para tentar forçar o Chile a negociar um acesso soberano ao Oceano Pacífico. Passados cinco anos, em 2018, o tribunal determinou que o governo chileno não possuía obrigação jurídica de negociar a questão.
Mesmo com a decisão da corte internacional, a reivindicação marítima permanece respaldada pela Constituição boliviana, enquanto a Armada segue incumbida de resguardar os interesses do país nas águas interiores.
Atuação atual da Marinha boliviana
Sem contar com acesso direto ao oceano, a Armada Boliviana concentra suas atividades em rios e lagos, com ênfase nas bacias do Prata e Amazônica, além do Lago Titicaca, mantido em conjunto com o Peru.
- Fiscalização e segurança: Nos rios e lagos, os militares fiscalizam embarcações, combatem o contrabando e o tráfico de drogas, e executam missões de busca e salvamento.
- Atuação na Amazônia: A unidade especializada Diablos Azules realiza patrulhamentos fluviais em áreas próximas à fronteira com o Brasil.
- Assistência humanitária: A instituição também oferece suporte à população. Em 2025, apresentou 30 embarcações recuperadas para otimizar a fiscalização e o atendimento em situações emergenciais, como enchentes.
- Cooperativismo internacional: No mês de setembro de 2026, forças militares da Bolívia e do Peru conduziram exercícios conjuntos no Lago Titicaca, focados em treinamentos de salvamento e no combate a ações ilícitas.
Tais operações demonstram que, além de simbolizar a demanda histórica por um acesso ao Pacífico, a Marinha boliviana executa papéis práticos na segurança e na preservação das águas interiores do território nacional.
