A economia dos Estados Unidos registrou um crescimento de 3,4% no trimestre que terminou em setembro, impulsionada pelo consumo e pelo aumento do uso de inteligência artificial em empresas de serviços. Apesar dos números expressivos em uma economia de 30 trilhões de dólares, a gestão de Donald Trump enfrenta avaliações negativas e uma média de aprovação de 38,4%, enquanto a desaprovação chega a 59,7%.
O descolamento entre os indicadores macroeconômicos positivos e a percepção pública é atribuído ao impacto do custo de vida e ao preço dos combustíveis sobre os cidadãos comuns. Embora o litro da gasolina nos Estados Unidos seja cotado no máximo a 1,22 dólar (equivalente a 6,53 reais), os americanos lidam com pressões financeiras cotidianas. Em termos de poder de compra, o salário mensal médio no país alcança até 5.421 dólares (cerca de trinta mil reais), contrastando com outros dados favoráveis, como a queda nos preços de laticínios e a redução de 54% no preço dos ovos em relação ao início do governo.
Outros indicadores de destaque incluem o investimento das empresas, que atingiu 12,7% — excluindo a construção civil, impactada por juros de 4% —, com 37,4% concentrados em equipamentos de processamento de informação. O trumpista Larry Kudlow celebrou o desempenho, destacando que o PIB essencial, que mede consumo mais investimento descontada a inflação, cresce a uma taxa anual de quase 5%, patamar não visto desde o boom de Reagan nos anos oitenta. Kudlow também apontou a criação de 72 mil novos empregos na indústria manufatureira, a menor taxa de desemprego em 60 anos, a marca de cerca de um milhão de postos de trabalho gerados desde a posse e a queda de 328 mil empregos no governo federal, refletindo a reprivatização da economia.
Em comparação internacional, o PIB de 3,4% americano fica atrás apenas da China (4,5%) e da Índia (7%). O cenário europeu é menos favorável, com a Alemanha registrando 0,2%, a França apresentando crescimento negativo e o Brasil com projeção de 0,5%. Até mesmo o jornal Guardian reconheceu o impacto expressivo do crescimento do PIB, embora tenha apontado ressalvas, como a inflação de 3,7%, fator que manterá os juros em patamares elevados.
Os resultados econômicos favoráveis, impulsionados por cortes de impostos e outras medidas de incentivo, contrastam com o cenário político. O Partido Republicano enfrenta a perspectiva de perder a maioria na Câmara e possivelmente no Senado, onde os democratas já articulam comissões de investigação e debatem a possibilidade de um novo processo de impeachment, embora falte a maioria de dois terços necessária para aprová-lo.
Diante do quadro de enfraquecimento político, o comentarista Freddy Gray escreveu na revista Spectator que o presidente não será um pato manco, definindo-o como um tigre feroz mais letal quando ameaçado. Com bases de incentivo econômico já lançadas e os resultados sendo colhidos, o governo inicia uma nova fase, enfrentando o desafio de que o público e o eleitorado não reconheçam plenamente os números positivos da economia.
