NewsHub
Segurança

Nova onda de ciberataques atinge supermercados em seis países europeus

Nova onda de ciberataques a sistemas de refrigeração afeta supermercados na Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo.

Redação•03 de nov. de 2026, 08:30
Nova onda de ciberataques atinge supermercados em seis países europeus
Imagem: site

Nova onda de ciberataques atinge supermercados em seis países europeus

Ouça esta matéria em voz alta

Uma nova onda de ataques cibernéticos a supermercados na Europa se espalhou pelo continente nesta segunda-feira (02/11), comprometendo sistemas de refrigeração na Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo. O incidente forçou o descarte de grandes quantidades de alimentos e intensificou as preocupações sobre a segurança digital na cadeia de abastecimento alimentar europeia, menos de um mês após um episódio semelhante na França.

Os invasores realizaram alterações indevidas nas configurações de temperatura de freezers e geladeiras em dezenas de estabelecimentos comerciais. Na Bélgica, a rede Carrefour reportou que cerca de 15 de suas 700 lojas foram afetadas. "É um ataque cibernético, não há outra explicação", declarou o porta-voz da empresa, Mich Vergauwen. Na cidade belga de Mons, a varejista de móveis Ikea também sofreu a elevação remota de temperatura nos freezers de uma unidade.

Em Antuérpia, o fundador da rede de açougues De Laet & Van Haver, Luc De Laet, relatou que suas geladeiras foram reprogramadas para atingir até 18°C durante a madrugada. "É muito assustador. Eles estão invadindo o sistema que faz o registro da temperatura e conseguem programá-lo à distância", afirmou à agência de notícias Reuters, acrescentando ser revoltante ter de descartar tanta comida.

Sistemas de refrigeração de dezenas de lojas da Ahold Delhaize na Bélgica e em Luxemburgo também foram atingidos por um incidente de TI. A empresa afixou um aviso em uma de suas unidades informando que não haveria produtos nas prateleiras refrigeradas ou congeladas devido a ataques cibernéticos, pedindo desculpas aos clientes. O Grupo Colruyt, operador de supermercados Spar na Bélgica por meio de franquias, registrou cinco unidades comprometidas, enquanto a Intermarché relatou problemas técnicos em aproximadamente 15 lojas.

Na Suécia, a rede Coop apontou que sete unidades sofreram manipulação não autorizada em seus sistemas de refrigeração. A varejista ICA também foi alvo, com uma de suas unidades tendo a temperatura do freezer elevada a 50°C, conforme relatado por uma representante da empresa. Na Irlanda, a atacadista Musgrave indicou que o problema atingiu 13 lojas da rede SuperValu, exigindo a retirada de itens refrigerados e congelados das prateleiras. Ocorrências parecidas foram registradas pela Kesko na Finlândia e pelo supermercado Selver na Estônia, além de impactos em cidades menores na Holanda.

Contexto e investigações

Os novos incidentes seguem-se a uma invasão ocorrida na França no mês passado, quando hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração em mais de 500 supermercados, gerando perdas alimentares e casos de incêndio, segundo a polícia francesa. Embora nenhum grupo tenha reivindicado a autoria das ações, a sequência de episódios elevou o alerta das autoridades europeias sobre ameaças híbridas à infraestrutura crítica, intensificadas desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Moscou nega reiteradamente envolvimento em operações de sabotagem.

Katrien Eggers, porta-voz do Centro de Cibersegurança da Bélgica, afirmou que a autoria permanece desconhecida e pode nunca ser determinada, pontuando que a evolução da inteligência artificial facilita a exploração de fragilidades em sistemas de TI por atores sofisticados. O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, classificou os ataques como uma tentativa deliberada de desestabilizar a cadeia de abastecimento alimentar e minar a confiança dos consumidores.

Parte dos equipamentos afetados utiliza tecnologia de controle de temperatura da empresa dinamarquesa Danfoss, que comunicou estar colaborando com os clientes para aplicar correções de segurança. Tom Hegel, pesquisador da SentinelOne, destacou que o varejo se torna um alvo facilitado pela grande quantidade de controladores interconectados e sistemas de gerenciamento predial, e avaliou que a ausência de exigências financeiras aponta para uma possível motivação de sabotagem ou extorsão.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/ciberseguranca/noticia/2026/11/03/o-que-se-sabe-sobre-nova-onda-de-ciberataques-a-supermercados-europeus.ghtml

Tags:
Compartilhar