NewsHub
Mundo

Midterms 2026 nos Estados Unidos: entenda as propostas votadas pelos eleitores

Eleitores americanos decidem em referendos sobre 145 propostas em 39 estados durante as eleições de meio de mandato de 2026.

Redação•02 de nov. de 2026, 16:30
Midterms 2026 nos Estados Unidos: entenda as propostas votadas pelos eleitores
Imagem: site

Midterms 2026 nos Estados Unidos: entenda as propostas votadas pelos eleitores

Ouça esta matéria em voz alta

Além de escolher deputados, senadores e governadores nas eleições de meio de mandato, os eleitores americanos decidem sobre 145 leis específicas distribuídas em 39 estados por meio de referendos. As consultas populares ocorrem nesta terça-feira, 3 de novembro, permitindo que os cidadãos votem diretamente com um "Sim" ou "Não", sem a intermediação de representantes nas assembleias estaduais.

As medidas em votação variam desde um imposto inédito sobre bilionários na Califórnia até regras de identificação de eleitores, aborto, atletas transgênero, mapas eleitorais e o direito de cozinhar com gás. O pacote reflete o atual momento político do país, com pautas ligadas a acusações de fraude eleitoral feitas pelo presidente Donald Trump — já desmentidas por auditorias e tribunais — e à disputa de redistritamento iniciada em 2025 por estados governados por republicanos e democratas para ganhar cadeiras na Câmara.

Nos Estados Unidos, essas consultas são chamadas genericamente de ballot measures ou "medidas na cédula". Cada estado adota uma nomenclatura própria, como propositions (Califórnia e Arizona), issues (Ohio), questions (Maryland e Wisconsin) e amendments para emendas constitucionais estaduais no Colorado. Não existem referendos nacionais, sendo as votações estaduais ou locais, decididas estritamente pelo voto Sim ou Não.

Imposto sobre bilionários e tributação de renda

A proposta de maior repercussão é a Prop. 40 da Califórnia, que pretende instituir o primeiro imposto estadual sobre patrimônio do país. O texto estabelece uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio líquido de residentes no estado em 1º de janeiro de 2026 que possuam mais de 1 bilhão de dólares — universo estimado em cerca de 200 pessoas —, com o pagamento dividido em cinco anos. O sindicato SEIU-UHW, autor da iniciativa, estima arrecadar cerca de 100 bilhões de dólares, voltados principalmente para a saúde.

Por outro lado, o Escritório do Analista Legislativo (LAO), órgão apartidário que assessora a Assembleia estadual, prevê um ganho temporário de dezenas de bilhões de dólares, mas alerta para uma possível perda anual de até 1 bilhão de dólares em imposto de renda caso bilionários deixem o estado. A medida conta com o apoio do senador Bernie Sanders e do Partido Democrata estadual, mas sofre oposição de entidades empresariais, do sindicato dos professores e da Planned Parenthood. O grupo Building a Better California, fundado por Sergey Brin (cofundador do Google) e Eric Schmidt (ex-CEO da empresa), apresentou as contrapropostas Props. 41 e 42, que podem anular o imposto caso tenham mais votos que a Prop. 40.

No estado de Washington, a Initiative 645 busca revogar o imposto de 9,9% sobre a renda anual superior a 1 milhão de dólares aprovado no mesmo ano e previsto para entrar em vigor em 2028, além de proibir qualquer tributação de renda estadual ou municipal.

Identificação do eleitor e voto de estrangeiros

Seis estados votam regras de identificação do eleitor, marcando o maior número de votações sobre o tema em um único ano. O país não possui documento nacional obrigatório e cada estado define suas regras de comprovação. Ohio, Carolina do Norte e Arizona pretendem elevar para suas constituições estaduais a exigência de documento com foto, que já existe em lei ordinária. Em Nevada, a exigência aprovada em 2024 retorna às urnas por conta da regra de emendas constitucionais populares precisarem passar em duas eleições consecutivas.

Dois estados democratas realizam testes simbólicos: a Califórnia, com a Prop. 39, propõe exigir documento oficial com foto para o voto presencial e criar uma carteira de eleitor gratuita; no Colorado, a Amendment 84 aplica exigência semelhante ao voto postal. Além disso, Alasca, Arizona, Arkansas, Kansas, Dakota do Sul e Virgínia Ocidental votam textos para afirmar que apenas cidadãos americanos podem votar. Entidades de direitos civis argumentam que a exigência de documentos como passaporte e carteira de motorista penaliza as camadas mais pobres, que têm maior percentual de pessoas sem identificação com foto.

Aborto

O aborto aparece em quatro estados, após registrar um recorde de 11 medidas em 2024:

    • Virgínia: inclui na Constituição o direito à "liberdade reprodutiva", permitindo aborto, contracepção e tratamentos de fertilidade. Na mesma cédula, a Question 2 retira da Constituição estadual a proibição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
    • Nevada: vota a confirmação de um direito constitucional ao aborto aprovado em 2024 por 64,4% dos eleitores. O procedimento já é legal até 24 semanas.
    • Idaho: propõe garantir o aborto até a viabilidade fetal por volta de 24 semanas. Como é uma lei e não emenda constitucional, a medida poderá ser alterada pela Assembleia estadual de maioria republicana.
    • Missouri: realiza o movimento inverso após eleitores incluírem o direito ao aborto na Constituição em 2024 por cerca de 52% a 48%. A nova proposta, levada pela Assembleia republicana, revoga a emenda para permitir o aborto apenas em emergências médicas, anomalias fetais e casos de estupro ou incesto até a 12ª semana, proibindo também procedimentos de transição de gênero em menores.

Atletas trans e diretrizes escolares

Pela primeira vez, eleitores decidem diretamente sobre a participação de atletas transgênero em competições femininas escolares em quatro estados (Washington, Colorado, Arizona e Nebraska). Até então, o tema era regulado apenas por leis e regulamentos em 29 estados:

    • Washington: proíbe estudantes nascidos do sexo masculino de competir em equipes femininas e exige documento médico atestando o sexo. A ex-jogadora Megan Rapinoe é contrária à medida.
    • Colorado: apresenta duas propostas, separando equipes escolares pelo sexo biológico do ensino fundamental à universidade e proibindo cirurgias de transição de gênero para menores de 18 anos.
    • Arizona: restringe o uso de banheiros e vestiários esportivos conforme o sexo biológico de nascimento.
    • Nebraska: leva para a Constituição estadual uma proibição que já existia em lei.

Diversidade, vetos, imigração e direito ao gás

Outras pautas em disputa incluem programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Em Wisconsin, a Question 3 proíbe o governo de dar "tratamento preferencial" baseado em raça, sexo, cor, etnia ou origem nacional em empregos, educação e contratos públicos.

O pacote de votações também aborda:

    • Wisconsin (Question 1): impede o governador de usar o veto parcial para criar ou aumentar impostos, em resposta a uma manobra anterior do governador Tony Evers.
    • Kentucky (Amendment 1): proíbe o governador de conceder perdões ou comutar penas nos 60 dias anteriores à eleição para o cargo.
    • Colorado (Amendment 81): obriga a polícia a avisar autoridades federais de imigração ao acusar de crime violento alguém em situação ilegal ou desconhecida.
    • Colorado (Direito ao gás): propõe inscrever na Constituição o direito de comprar gás natural para cozinhar e aquecer edifícios, bloqueando restrições climáticas municipais ou estaduais.
    • Arizona (Radares): proíbe novos radares e câmeras de semáforo, exigindo aval dos eleitores a cada dez anos para equipamentos já existentes.

Os resultados começam a ser divulgados na noite de terça-feira, mas a apuração de votos pelo correio em estados como a Califórnia pode levar até 38 dias para ser totalmente certificada.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/midterms-2026-o-que-esta-em-jogo-nas-propostas-votadas-pelos-eleitores/

Compartilhar