O presidente da FCC (Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos), Brendan Carr, orientou emissoras locais de rádio e televisão a redobrarem a atenção em relação a supostas "pesquisas falsas" durante o período eleitoral. Aliado do presidente Donald Trump e nomeado para o cargo, Carr fez a advertência na quarta-feira (22), sem especificar quais levantamentos considera fraudulentos ou citar nomes de institutos específicos.
O aviso ocorreu na mesma data em que duas pesquisas nacionais publicaram dados indicando que a aprovação de Donald Trump atingiu outra mínima histórica, enquanto levantamentos apontavam a possibilidade de avanços dos democratas nas Eleições de Meio de Mandato. Um dia antes do alerta, uma organização que operava como instituto de pesquisas admitiu ser uma entidade fictícia e confessou ter fabricado dados divulgados a veículos de comunicação.
Em sua publicação na rede social X, Carr afirmou que a temporada eleitoral registrou um aumento expressivo de sondagens totalmente falsas e de supressão, voltadas para interferir no processo eleitoral e alterar padrões de participação dos eleitores. Ele mencionou a prerrogativa da FCC de penalizar emissoras que desrespeitem as normas contra distorção de notícias e fraudes na radiodifusão, embora tais regras tenham aplicação restrita e sejam raramente acionadas.
A manifestação gerou reações imediatas. Um grupo de ex-integrantes da FCC classificou o aviso como parte de uma estratégia da Casa Branca para influenciar o cenário eleitoral e contestar resultados desfavoráveis. Grupos de defesa da liberdade de imprensa argumentaram que a medida contraria a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão e de imprensa. Seth Stern, diretor da Freedom of the Press Foundation, criticou a postura da agência.
Anna Gomez, única comissária democrata da FCC, também contestou o posicionamento de Carr publicamente, afirmando que emissoras que divulgam dados de pesquisas disponíveis ao público de boa-fé não devem ser punidas por erros nos levantamentos. O debate ocorre em um contexto de insatisfação popular com a economia e o cenário político, com o Partido Republicano enfrentando perspectivas eleitorais desfavoráveis nas próximas semanas.
