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Economia

Protestos no Paraguai após crise em banco digital e renúncia no BC

Paraguaios protestam em Assunção após crise no banco digital Ueno e renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.

Redação•04 de nov. de 2026, 15:30
Protestos no Paraguai após crise em banco digital e renúncia no BC
Imagem: site

Protestos no Paraguai após crise em banco digital e renúncia no BC

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Milhares de paraguaios ocuparam as ruas de Assunção em protesto para exigir o acesso aos próprios recursos financeiros, após uma grave crise envolvendo o Ueno, um dos principais bancos digitais do país, que possui cerca de 3 milhões de clientes. A situação gerou repercussão na economia nacional e resultou na renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, além de ampliar a pressão política sobre a administração do presidente Santiago Peña.

O Ueno, que atua como o maior emissor de cartões de crédito no Paraguai, passou a enfrentar dificuldades financeiras e investigações. Após revisões em seus balanços, o índice de solvência da instituição despencou para menos da metade do patamar mínimo estabelecido por lei. Com a crise, clientes que se dirigiram às agências encontraram portas fechadas, enquanto aplicativos e cartões pararam de operar, impactando inclusive aposentados que recebem pagamentos estatais pelo banco. A instituição gerencia cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, abrangendo montantes do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos previdenciários.

Diante dos bloqueios e da falta de acesso ao dinheiro, manifestantes protestaram na capital, resultando em confrontos com as forças policiais. "Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno", declarou Manuel Cáceres, morador de Ñemby, à agência Reuters. O Ministério Público requisitou a abertura de uma investigação criminal e emitiu mandados de prisão para oito indivíduos associados à direção e ao grupo controlador do banco.

Para amenizar os impactos, o presidente Santiago Peña firmou um acordo com lideranças do Congresso visando agilizar a votação de um projeto que emprega o Fundo de Garantia nacional para quitar valores devidos aos depositantes, o que também contemplaria a restituição de verbas públicas do IPS e da previdência. Peña já havia sido sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025. O ex-presidente do BC, Carlos Carvallo, que dirigiu o banco até agosto de 2023, sofria críticas de parlamentares quanto à supervisão da instituição e optou por renunciar para atenuar as controvérsias em torno da autarquia financeira.

Tanto o Banco Central quanto o presidente Peña enfatizaram que o episódio se trata de um problema restrito ao Ueno e não reflete instabilidade generalizada no sistema financeiro nacional. A Superintendência de Bancos planeja designar auditores para examinar os ativos da entidade, cujos desdobramentos financeiros já provocaram reflexos negativos nos títulos em dólar da instituição com vencimento em 2031 e nos papéis da dívida soberana do Paraguai.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/11/04/paraguaios-vao-as-ruas-em-protesto-apos-quebra-de-banco-digital-e-renuncia-do-presidente-do-bc.ghtml

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