O presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisa a possibilidade de ceder um ministério na Esplanada ao Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais, conforme relatos de interlocutores do chefe do Executivo. A avaliação ocorre após elogios do petista ao desempenho do diretório estadual no pleito, destacando especialmente a virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) no território mineiro entre o primeiro e o segundo turno. Outro fator apontado é que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, representou a única vitória petista para o Senado nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
O deputado federal Reginaldo Lopes surge como o principal cotado para assumir a pasta, caso a legenda em Minas Gerais seja contemplada. O parlamentar garantiu seu sétimo mandato consecutivo na Câmara dos Deputados. Uma reunião do partido no estado está agendada para os próximos dias com o objetivo de discutir o tema.
A aliados, Reginaldo Lopes tem pontuado que aceitaria um chamado de Lula, embora coloque sua atuação no parlamento como prioridade atual. Durante a gestão do Lula 3, o deputado liderou textos relacionados à reforma tributária e figurou entre os autores da PEC voltada ao encerramento da escala 6x1. No período de transição governamental em 2022, seu nome foi cogitado para o Planejamento e para o Desenvolvimento Agrário — cargos posteriormente ocupados por Simone Tebet (então no MDB) e por um representante do PT paulista, respectivamente.
Membros do diretório mineiro argumentam que o partido não realiza cobranças diretas ao presidente, mas avaliam a existência de uma pendência do mandato anterior. Defendem que Reginaldo seja o representante estadual por ter abdicado de candidaturas ao Senado em duas ocasiões e pela forte colaboração na campanha. No atual governo (Lula 3), o PT de Minas Gerais contou com Macaé Evaristo à frente do Ministério dos Direitos Humanos, após a saída de Silvio Almeida em decorrência de acusações de assédio sexual.
Outro nome de Minas Gerais na Esplanada, Alexandre Silveira (PSD), titular do Ministério de Minas e Energia, também relata a correligionários a expectativa de permanecer na administração federal, ainda que em outra pasta. Amigo de Gilberto Kassab — que aderiu ao lulismo, participou ativamente da campanha e abriu mão de concorrer a cargos em Minas —, Silveira é cotado nas apostas para assumir os Ministérios da Defesa, da Agricultura ou da Segurança Pública.
Analistas do cenário político indicam que o presidente sinaliza a intenção de abranger mais aliados, enfrentando contudo um cenário de negociações complexo. A distribuição de cargos envolve contemplar siglas do centrão, valorizar petistas decisivos na disputa eleitoral e acomodar parlamentares sem mandato ou aliados que renunciaram a disputas para apoiar a campanha. Diante do volume de demandas e da limitação de vagas, a definição estratégica deve demandar algumas semanas, segundo aliados.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-avalia-dar-ministerio-a-pt-mineiro-apos-ganhar-no-estado/
