O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta quinta-feira (22) que a produção e o refino de petróleo, além de atividades correlatas, são essenciais para a defesa nacional. A decisão pode abrir espaço para o financiamento norte-americano a projetos de combustíveis fósseis.
Em um memorando presidencial, Trump recorreu a um dispositivo da Lei de Produção de Defesa (Defense Production Act), promulgada durante o período da Guerra Fria. O mecanismo possibilita a oferta de incentivos financeiros para iniciativas relacionadas ao petróleo, o que abrange oleodutos e o armazenamento de combustíveis líquidos.
O documento aponta que, na ausência dessas medidas, os Estados Unidos não conseguiriam disponibilizar esses serviços energéticos em tempo hábil. O texto cita restrições de financiamento, longos prazos de execução, barreiras no licenciamento, problemas na infraestrutura e limitações na cadeia de suprimentos. Contudo, nenhum projeto específico foi citado no memorando.
A medida ocorre em um cenário de alta nos preços do petróleo bruto e do diesel, disparados desde que os EUA e Israel conduziram uma operação conjunta contra o Irã no final de fevereiro. O conflito tem limitado o fluxo global de energia, enquanto ataques ucranianos a refinarias russas aprofundaram a escassez de combustíveis.
O encarecimento dos custos impõe riscos políticos a Trump para as eleições de 3 de novembro, período em que republicanos tentam assegurar o domínio de ambas as casas do Congresso. Uma pesquisa conduzida pela Reuters/Ipsos e finalizada na segunda-feira (19) aponta que apenas 36% dos norte-americanos aprovam a gestão econômica do presidente.
Em 2025, os Estados Unidos alcançaram uma produção média de aproximadamente 13,6 milhões de barris de petróleo bruto por dia, mantendo a posição de maior produtor global. Na semana passada, o vice-presidente americano JD Vance declarou que o governo aplicará a Lei de Produção de Defesa para expandir a capacidade de uma refinaria localizada no Texas, pertencente à empresa Delek US Holdings. No ano anterior, Trump sancionou uma lei que repassou US$ 1 bilhão, por meio da mesma legislação, para iniciativas energéticas fundamentais para a segurança nacional.
