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Economia

Vendas de motos batem recordes no Brasil impulsionadas pelo delivery

Impulsionadas pelo delivery e pelo preço acessível, vendas de motos registram recordes sucessivos e transformam a mobilidade urbana no país.

Redação•31 de out. de 2026, 08:30
Vendas de motos batem recordes no Brasil impulsionadas pelo delivery
Imagem: site

Vendas de motos batem recordes no Brasil impulsionadas pelo delivery

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As vendas de motocicletas no Brasil continuam registrando marcas históricas, impulsionadas pelo avanço dos serviços de entrega, pela dificuldade das famílias na aquisição de carros e pela necessidade de escapar dos congestionamentos urbanos. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores e Similares (Abraciclo), a projeção é de que o país alcance o emplacamento de 2,4 milhões de unidades, superando o recorde anterior de 2,2 milhões registrado no ano passado.

A produção nacional também apresenta alta e deve se aproximar do pico histórico registrado em 2008, alcançando 2,1 milhões de unidades. Atualmente, a frota brasileira conta com 39 milhões de motocicletas em circulação, o que corresponde a 29% da frota total de veículos do país. Há duas décadas, essa proporção era de 18%.

O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, aponta que 22% de todas as novas motos comercializadas são destinadas a trabalhadores de delivery. Além disso, o fator econômico pesa na escolha: enquanto uma motocicleta básica custa entre 11.000 e 15.000 reais, o valor de um automóvel popular varia de 70.000 a 80.000 reais. Essa diferença econômica consolidou as motos como o meio de transporte preferencial nas áreas mais carentes do território nacional, somando 51% da frota na região Norte e 46% no Nordeste.

Crescimento contínuo e mercado de luxo

Especialistas avaliam que a expansão da frota de duas rodas seguirá nos próximos anos, embora em ritmo menos acelerado. Segundo Antônio Jorge Martins, professor de Estratégia Empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo, o alto endividamento das famílias restringe o acesso ao crédito para a aquisição de novas unidades. Mesmo com esse cenário, Milad Neto, diretor-executivo da K.Lume Consultoria Automobilística, destaca que as motocicletas devem crescer acima do setor automotivo. A projeção para 2027 aponta alta de 3,3% nas vendas de carros contra 6,4% nas de motos, cenário que pode fazer a frota de motocicletas superar a de automóveis na próxima década.

O mercado também se aquece em segmentos de maior valor agregado. A montadora indiana Royal Enfield projeta um crescimento de 20% nas vendas brasileiras este ano. Para atender à demanda, a empresa investiu na construção de uma fábrica própria em Manaus, com inauguração prevista para o próximo ano e capacidade estimada em 32.000 motocicletas anuais. Anteriormente, a produção ocorria em parceria com a Dafra e o Grupo Multi.

Desafios de segurança viária

O forte crescimento da frota traz impactos diretos para a segurança nas vias. Os motociclistas concentram cerca de 40% das vítimas fatais no trânsito brasileiro, exigindo ações das administrações municipais. Entre as medidas adotadas para tentar conter os acidentes estão a redução de limites de velocidade, o reforço na fiscalização, o redesenho de cruzamentos e iniciativas como a Faixa Azul implementada pela prefeitura de São Paulo. Adicionalmente, o transporte de passageiros por aplicativo em motocicletas enfrenta resistência em diversas cidades devido ao receio de ampliação dos riscos de acidentes.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/impulsionadas-pelo-delivery-as-vendas-de-motos-batem-seguidos-recordes-no-brasil/

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