O Brasil domina toda a cadeia produtiva do chocolate e busca expandir sua presença em mercados internacionais, apostando na qualidade e na preservação ambiental. Produtores de estados como Pará, Bahia e Espírito Santo participam do Salão do Chocolate e da Patisserie, em Paris, entre 28 de outubro e 1º de novembro, evento voltado para a degustação de produtos e premiações de confeitaria.
Segundo André Luiz Carvalho Scampini, secretário-executivo da Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (ACAU), o cacau brasileiro possui um diferencial ecológico por meio da cabruca, um sistema tradicional de plantio feito sob a cobertura da mata nativa. Scampini destaca que o fruto é originário da Amazônia brasileira e foi levado por indígenas ao México até ser conhecido pelos espanhóis através dos astecas. Na Bahia e no Espírito Santo, o cultivo em sistema de cabruca ajudou a manter áreas de Mata Atlântica em pé.
O Espírito Santo abriga a primeira indicação geográfica brasileira para amêndoas de cacau, o Cacau Linhares, localizado no norte do estado. De acordo com Scampini, o microclima, a terra e a água da região conferem características únicas ao fruto, tornando-o mais aromático, frutado, com sabor suave e maior concentração de manteiga de cacau. A estratégia agora é apresentar essa qualidade para a Europa e para a Ásia, um mercado em expansão.
Ivaldo de Santana, expositor do Pará, afirma que a participação em eventos internacionais ajuda a aprimorar a produção e a acelerar a comercialização das amêndoas e subprodutos. No entanto, o setor reivindica remuneração mais justa. Marco Lessa, coordenador da missão brasileira em Paris, defende que o produtor tenha maior participação nos ganhos, apontando que apenas 7% do preço de uma barra de chocolate fica com quem cultiva a matéria-prima.
Apesar da expansão, o futuro enfrenta desafios impostos pelas mudanças climáticas. Elis Joinville, da Cacau Brasil, alerta que o aumento das temperaturas já afeta as plantações e pode fazer com que o chocolate volte a ser considerado um artigo de luxo, assim como ocorria historicamente até as décadas de 1940 e 1950. Variedades cultivadas há mais de duzentos anos correm o risco de desaparecer com a alta das temperaturas e a alta nos preços.
Durante o evento em Paris, visitantes como Nathalie elogiaram a suavidade, o corpo e as notas de floresta do chocolate brasileiro, além de ressaltarem a importância da sustentabilidade e da agrofloresta para o futuro da produção.
