Aliados do Brasil na América Latina demonstram expectativa por uma postura diferente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual quarto mandato, segundo análise de Alberto Pfeifer, coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global. A avaliação foi transcrita de uma análise em vídeo para o programa WW.
Historicamente, desde 2002, a gestão petista enfrentou o desafio da integração regional das Américas, envolvendo aprofundamento com os Estados Unidos e as 34 democracias continentais, além da discussão sobre a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Na época, contudo, a administração optou por uma pauta ideológica na política externa, o que impediu o avanço do bloco comercial, gerou antagonismo com os americanos e limitou o dinamismo econômico do hemisfério.
Passados 24 anos, o cenário geopolítico global mudou. A China consolidou-se como ator essencial para o Brasil, atuando como principal mercado para exportações e grande fornecedor de bens industriais e insumos para o agronegócio. Por sua vez, os Estados Unidos buscam afirmar-se declaradamente como a potência dominante do hemisfério, considerando a região como sua zona de influência.
Apesar da incerteza sobre os rumos da política externa de um quarto mandato de Lula, a reação de países vizinhos — especialmente sul-americanos governados pela direita e que esperavam uma mudança no Brasil — chamou atenção. Ao tomarem conhecimento da vitória de Lula, essas nações apressaram-se em cumprimentar o petista, abrir canais de diálogo e incentivar os brasileiros a assumirem maior protagonismo local.
Países como Colômbia, Paraguai, Bolívia e Peru reconheceram o pleito e felicitaram o presidente eleito, mantendo-se a Argentina em postura reticente. De acordo com a análise, esses governos praticamente solicitaram, de forma sutil e implícita, que o Brasil adote uma postura mais propositiva na região por dois motivos principais:
- Liderança natural: Por ser o maior país e a principal economia regional, o Brasil exerce naturalmente maior influência sobre os rumos locais.
- Contrapeso estratégico: A necessidade de equilibrar e fazer contrapeso diante da agenda geopolítica de Donald Trump.
A oportunidade está posta para o novo governo brasileiro, bastando adotar pautas de interesse comum aos vizinhos para guiar um caminho promissor nas relações internacionais e no Palácio do Planalto.
