Em 3 de fevereiro de 1989, o Paraguai encerrou um dos regimes mais longos da história sul-americana com um desfecho familiar incomum. O general Alfredo Stroessner, que estava no poder desde 1954, foi deposto por um golpe militar liderado pelo general Andrés Rodríguez Pedotti, seu braço direito e também seu sogro.
A origem do apelido "Coronel do Porta-Malas"
Antes de comandar o país, Stroessner ingressou no Exército Paraguaio aos 17 anos e participou da Guerra do Chaco. Em 1948, aos 36 anos, tornou-se o general de brigada mais jovem da América do Sul. No mesmo ano, envolveu-se em uma tentativa frustrada de golpe de Estado e buscou asilo político na Embaixada do Brasil em Assunção.
Para escapar da captura por forças adversárias, ele atravessou a capital escondido no porta-malas de um automóvel. O episódio circulou entre os quartéis e gerou o apelido pejorativo de "Coronel do Porta-Malas", que o acompanhou até sua consolidação definitiva no poder.
Três décadas no comando e a queda
Em maio de 1954, Stroessner liderou um novo golpe militar que derrubou o então presidente Federico Chaves, assumindo formalmente a presidência em 15 de agosto do mesmo ano. Isso deu início a um período contínuo de quase 35 anos de governo.
O regime promoveu grandes obras de infraestrutura na fronteira, como a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a fundação de Puerto Presidente Stroessner, hoje Ciudad del Este. Contudo, a gestão acumulou denúncias de violações dos direitos humanos, prisões arbitrárias e repressão a opositores.
A derrocada aconteceu no final dos anos 1980, impulsionada por crise econômica, pressão internacional e divisão interna no Partido Colorado, culminando na ação armada de Andrés Rodríguez Pedotti. Stroessner foi preso brevemente e exilado em Brasília, onde morreu em 2006 devido a complicações após uma cirurgia de hérnia.
