A falência do banco digital Ueno, reconhecido como uma das principais instituições financeiras do Paraguai, resultou no congelamento de contas de aproximadamente 3 milhões de clientes e desencadeou uma grave crise política no país sul-americano. O colapso afetou diretamente o gerenciamento de quase R$ 4,5 bilhões (cerca de US$ 850 milhões) em recursos públicos.
Do total administrado pelo banco, cerca de US$ 380 milhões pertencem ao Instituto de Previdência Social, órgão que centraliza os fundos de saúde e aposentadoria dos trabalhadores. Com a suspensão dos serviços e a paralisação de aplicativos e cartões, diversos clientes ficaram impedidos de acessar o próprio dinheiro, situação que impacta diretamente brasileiros residentes no Paraguai e o repasse de benefícios para aposentados locais.
Intervenção do Banco Central e crise política
A crise institucional se intensificou após o Banco Central do Paraguai (BCP) decretar a intervenção na instituição financeira devido à insuficiência de capital. A medida foi tomada depois que o índice de solvência do Ueno caiu para menos da metade do patamar mínimo estabelecido por lei. O cenário provocou a queda do presidente do BCP, Carlos Carvallo.
Na esfera política, a instabilidade culminou na renúncia do presidente Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira, 5, em meio a um processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Peña enfrentava acusações de conflito de interesses e favorecimento ao banco, instituição à qual manteve ligação até março de 2025 como acionista de sua holding controladora, o Grupo Vázquez.
Acusações e protestos em Assunção
O processo de destituição apontava que o ex-presidente teria tomado decisões regulatórias benéficas à instituição e concentrado fundos previdenciários no banco digital. O texto do impeachment também questionava a evolução patrimonial de Peña, cujo montante saltou de pouco mais de 1,3 bilhão de guaranis (cerca de R$ 840 mil) em 2017 para mais de 23 bilhões de guaranis (aproximadamente R$ 19 milhões) até 2023.
O escândalo gerou revolta popular, mobilizando centenas de manifestantes em protestos nas ruas de Assunção por restituição de valores e investigações. Agências bancárias registraram longas filas na véspera devido a tentativas de saque. Diante da denúncia apresentada pelo Banco Central contra o Ueno Bank, oito pessoas foram presas, incluindo o presidente da instituição, Miguel Vázquez.
