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Santiago Peña tenta blindagem na Justiça e renuncia à Presidência do Paraguai

Presidente do Paraguai, Santiago Peña renuncia ao cargo em meio a crise econômica e política e enfrenta rejeição de carta pelo Congresso.

Redação•05 de nov. de 2026, 15:33
Santiago Peña tenta blindagem na Justiça e renuncia à Presidência do Paraguai
Imagem: site

Santiago Peña tenta blindagem na Justiça e renuncia à Presidência do Paraguai

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e econômica. De acordo com o comentarista da GloboNews e especialista em América Latina, Ariel Palácios, a decisão de deixar o posto teve como objetivo tentar se blindar e manter o foro privilegiado.

Segundo a análise, a manobra buscava evitar que o ex-presidente enfrentasse processos na Justiça e investigações relacionadas ao escândalo financeiro do fechamento do banco digital Ueno. Pela Constituição paraguaia, os ex-mandatários tornam-se senadores vitalícios automaticamente ao encerrarem o mandato, garantindo foro privilegiado até o fim da vida, além de poderem participar de sessões e comissões sem direito a voto e sem contar para quórum. Contudo, caso tenham sido submetidos a julgamento político e considerados culpados, perdem tal privilégio — risco ao qual Peña estava exposto, já que o Congresso iniciou os trâmites para votar o seu impeachment.

"Com esta renúncia, Peña evita o impeachment e consegue foro privilegiado. Isso porque, no Paraguai - único caso em toda a América do Sul -, quando termina o mandato de um presidente - eles não podem ser reeleitos -, automaticamente eles recebem de presente o cargo de senador vitalício. A pessoa tem foro privilegiado até falecer. Então, Santiago Peña com isso se blindaria para evitar ter que ir à Justiça por conta desse escândalo financeiro", pontuou Ariel.

A tentativa de proteção, no entanto, foi frustrada logo após o anúncio. A Câmara de Deputados do Paraguai aprovou o prosseguimento do processo de impeachment e rejeitou formalmente a carta de renúncia entregue por Peña. Opositores alertaram que aceitar o documento concederia imunidade parlamentar, impedindo o julgamento do político na Justiça comum pelos supostos crimes ligados ao banco Ueno.

Crise bancária e impeachment

Santiago Peña, economista conservador que assumiu a presidência em 2023 com mandato previsto até 2028, virou alvo de fortes críticas devido à crise decorrente do fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de correntistas sem acesso aos seus recursos financeiros. O político foi acionista do grupo controlador da instituição, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de acobrir irregularidades.

Na manhã de quinta-feira, o Congresso realizou uma sessão extraordinária para debater o pedido de afastamento, contando com o apoio de todas as bancadas da Câmara dos Deputados. O avanço do impeachment ganhou força após Horário Cortes, atual líder do Partido Colorado — legenda de Peña —, retirar o apoio à gestão.

Em vídeo publicado nas redes sociais durante a tarde para comunicar sua saída, Peña pediu desculpas aos cidadãos afetados pela crise e afirmou que tomou a medida priorizando a estabilidade nacional, a paz social e a preservação das instituições democráticas.

  • "Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", declarou.

Com a saída do presidente, o vice-presidente Pedro Alliana assume o poder, embora também seja alvo do processo de impeachment em curso.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/11/05/com-renuncia-santiago-pena-ganha-cargo-de-senador-vitalicio-no-paraguai.ghtml

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