O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária que assolou o país. Peña, que também era acionista do banco digital ueno, foi acusado de conivência com a quebra da instituição, que deixou milhares de correntistas sem acesso ao próprio dinheiro.
Horas após anunciar a renúncia, Peña apresentou uma carta de renúncia em que se desculpou com a população e justificou sua decisão com a necessidade de preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. "Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", afirmou Peña, pedindo desculpas por qualquer falha.
No entanto, a Câmara do Paraguai rejeitou a renúncia e decidiu seguir com o processo de impeachment contra Peña e seu vice, Pedro Alliana. A votação foi unânime, abrindo caminho para Alliana assumir a presidência. Já o impeachment contra o vice foi rejeitado.
O Congresso do Paraguai havia iniciado uma sessão extraordinária para debater o impeachment, após o apoio do presidente do Partido Colorado, Horário Cortes, e do presidente da Câmara, Basilio Nuñez, serem retirados. Peña, que assumiu o governo em 2023, é considerado aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrava o Escudo das Américas.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. O banco ueno, que pertencia ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3) após o Banco Central iniciar sua liquidação, devido a uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição.
Executivos do ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça ordenou o bloqueio dos bens dos acusados, enquanto a Associação de Bancos do Paraguai informou que o sistema bancário continuava operando normalmente.
