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Ajuste fiscal precisa ser anunciado com rapidez, aponta economista

Economista Felipe Salto defende anúncio rápido de plano de ajuste fiscal para demonstrar responsabilidade nas contas públicas.

Redação•31 de out. de 2026, 13:30
Ajuste fiscal precisa ser anunciado com rapidez, aponta economista
Imagem: site

Ajuste fiscal precisa ser anunciado com rapidez, aponta economista

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Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, investidores aguardam novos direcionamentos sobre a política econômica do país. Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, a administração federal precisa divulgar com rapidez um plano de ajuste fiscal, embora a sua execução possa ser estendida ao longo de quatro anos.

Em entrevista concedida ao programa CNN Money, Salto avaliou que a situação das contas públicas apresenta desafios, mas está longe de ser irreversível. De acordo com o especialista, o déficit primário passou de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 para cerca de 0,4% em 2024, patamar que também deve ser registrado em 2026, conforme projeções da Warren Investimentos.

O economista ressaltou que o principal problema reside no fato de o governo ter prometido um superávit. Segundo ele, ocorreu uma frustração em relação ao compromisso assumido junto ao novo arcabouço fiscal, instituído pela Lei Complementar 200 de 2023.

Ajuste gradual e anúncios urgentes

Felipe Salto argumentou que o Brasil não adota ajustes econômicos abruptos, devido a fatores políticos e econômicos. Na visão do analista, nem o Executivo nem o Congresso atuam com cortes radicais e imediatos, algo que tampouco seria desejável. O economista pontuou que a Constituição de 1988 garantiu diretrizes voltadas para políticas sociais, de saúde e de previdência que precisam ser mantidas para o desenvolvimento do país.

O cenário macroeconômico atual também foi apontado como delicado, com a economia em trajetória de desaceleração desde meados de 2025, de acordo com o indicador IBC-BR do Banco Central. A conjuntura é influenciada por uma política monetária de juros reais elevados e por taxas internacionais superiores às observadas há cinco ou seis anos.

Para Salto, a prioridade não é a execução imediata do corte, mas a demonstração de responsabilidade fiscal. “O ajuste fiscal não precisa ser feito da noite para o dia, mas o plano precisa ser anunciado com celeridade para mostrar que o governo é responsável fiscalmente”, declarou.

Metas e controle de despesas

O plano de recuperação das contas públicas defendido pelo economista deve incluir ações para conter o avanço das despesas obrigatórias, que registram alta de duas a três vezes superior ao crescimento real do PIB. Salto também aponta a necessidade de:

  • Reduzir gastos tributários;
  • Combater supersalários;
  • Controlar emendas parlamentares;
  • Enfrentar as renúncias fiscais, que, segundo ele, saíram de controle.

A meta sugerida pelo economista-chefe é alcançar um superávit primário de 2% do PIB no período de dois a três anos, patamar avaliado como indispensável para estabilizar a relação entre dívida e PIB.

“Esse plano deve ser distribuído em quatro anos e deve ser um compromisso feito desde o primeiro dia”, afirmou Salto, reforçando que a urgência recai sobre a credibilidade e o fundamento técnico dos anúncios voltados à recuperação do superávit primário.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/plano-de-ajuste-fiscal-precisa-ser-anunciado-em-breve-diz-economista/

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