A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos gerou um cenário de incertezas entre aliados e parlamentares do Partido Liberal (PL). Enquanto parte da legenda avalia buscar maior moderação, o grupo tenta compreender os próximos passos da família Bolsonaro e definir quem conduzirá as articulações políticas daqui para diante.
Existe um consenso entre correligionários de que a saída do senador dificulta as negociações com a própria bancada da sigla. Membros do partido apontam o risco de que o capital político associado ao grupo fique subutilizado ou enfraquecido. Embora mantenham o apoio à tese de perseguição política, aliados aguardam orientações mais claras, impulsionados pela visita do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar, ocorrida na quinta-feira (29).
Uma reunião do PL está prevista para a próxima semana com o objetivo de esclarecer o cenário político para os parlamentares que permaneceram no Brasil. Valdemar Costa Neto declarou publicamente a intenção de dar continuidade aos trabalhos partidários. “É lógico que ninguém concorda com isso. Nós queremos tocar o país para frente. Queremos tocar o partido para frente. Esse é o nosso objetivo e vamos tocar. Ninguém aprovou a carta”, afirmou.
Nos bastidores, alas do partido defendem uma postura mais moderada, distanciando-se do teor da carta de Flávio, que incluiu elementos com menções golpistas. A repercussão do documento gerou questionamentos nesta quinta-feira, quando um aliado do senador nos Estados Unidos tentou atribuir o uso do antigo brasão do Brasil e o termo “presidente eleito” a uma falha de inteligência artificial, justificativa que logo foi contestada nas redes sociais.
A preocupação com a unidade do partido ocorre em um momento estratégico, em que o PL faz cálculos para as disputas pelas presidências do Senado e da Câmara dos Deputados. Partidos do centrão já articulam a distribuição de postos e comandos nas duas Casas legislativas para os próximos dois anos.
A crise coloca em dúvida as ambições do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, que busca a Presidência do Senado. Embora Marinho mantenha o apoio ao colega de partido e sustente a tese de perseguição política, ele enfrenta concorrentes no campo da direita, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), além do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca apoio do centrão e de governistas para permanecer no cargo. Diante das incertezas, ainda não há clareza se o PL conseguirá unificar a direita em torno da candidatura de Marinho.
No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer críticas às eleições brasileiras, mas mantém cautela e não deve reconhecer Flávio Bolsonaro como presidente legítimo. Por outro lado, analistas indicam que o governo norte-americano pode acelerar o processo de obtenção de green card para o senador brasileiro.
