O eleitorado médio dos Estados Unidos tem demonstrado menor abertura para discutir pautas que fujam do eixo econômico, como pautas morais, questões migratórias e confrontos internacionais. A análise foi feita por Vinícius Rodrigues Vieira, docente de Relações Internacionais da FAAP, FGV e IDP, durante participação no programa WW ao abordar o cenário para as eleições de meio de mandato (midterms), agendadas para 3 de novembro.
Conforme o especialista, o encarecimento do custo de vida nos Estados Unidos deve funcionar como o eixo principal da disputa eleitoral. Vieira pontua que Donald Trump busca argumentar que o cenário econômico anterior à sua gestão era ainda menos favorável, cabendo ao cidadão comum decidir esse embate, já que o público atual mostra baixa receptividade a teses distantes da economia.
Foco no cotidiano e o peso do voto latino
Vinícius Rodrigues Vieira apontou um movimento global de direcionar os pleitos para a rotina diária dos cidadãos, deixando de lado discussões mais amplas. O professor exemplificou com indagações utilizadas por nomes como Barack Obama para atrair eleitores centristas para o campo democrata: "O que Trump fez, de fato, que afeta a vida sua?". Conflitos no Oriente Médio, por exemplo, geram reflexos indiretos na rotina da população por meio do valor do petróleo, mas falham em mobilizar o eleitorado com a mesma intensidade que os problemas econômicos imediatos.
Outro ponto destacado é o papel do eleitorado latino, que pode impor barreiras significativas a Trump e aliados no Texas, afetando disputas para o governo estadual, Câmara e Senado. Embora os latinos tenham sido cruciais na volta de Trump à presidência nos estados-pêndulo (swing states), regiões historicamente republicanas nas últimas três décadas mostram indícios de abertura ao Partido Democrata.
Entre os latinos, contudo, a economia divide espaço com outra preocupação: a atuação do ICE (agência de imigração e controle de fronteiras dos Estados Unidos). Segundo Vieira, as ações do órgão impactaram a comunidade de uma maneira inesperada. "Era algo que a comunidade não esperava que iria afetá-los", declarou o professor, avaliando que tal insatisfação tem potencial para alterar a postura eleitoral desse grupo nas midterms.
