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Economia

Alta de juros no Japão gera reflexos em títulos globais e no Brasil, apontam especialistas

Elevação da taxa de juros pelo Banco do Japão para 1,25% ao ano gera reflexos nos mercados globais, pressiona títulos públicos e impacta a economia brasileira.

Redação•20 de set. de 2026, 09:39
Alta de juros no Japão gera reflexos em títulos globais e no Brasil, apontam especialistas
Imagem: site

Alta de juros no Japão gera reflexos em títulos globais e no Brasil, apontam especialistas

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A economia japonesa voltou a repercutir nos mercados internacionais e acendeu alertas sobre decisões de investimentos em títulos públicos em todo o mundo, incluindo o Brasil. Na sexta-feira (18), o Banco do Japão (BoJ) elevou sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual, alcançando o patamar de 1,25% ao ano, o nível mais alto registrado em 31 anos.

Embora a decisão já fosse tratada como consenso pelo mercado, a tendência de aperto monetário no país mexe com o comportamento global dos investidores. Gianluca Rosales, sócio e gestor de mercados globais da 3V Capital, destaca que o Japão é o principal detentor estrangeiro de títulos do Tesouro norte-americano. Segundo ele, com décadas de juros zerados internamente, os investidores japoneses recorriam ao mercado externo, mas o cenário atual mostra o título japonês de 10 anos pagando 2,91%, o maior patamar desde 1996, enquanto o diferencial de taxa básica entre os dois países caiu de 4,25 pontos no fim de 2024 para 2,75.

A medida do BoJ soma-se a uma tendência global entre economias avançadas. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve aprovou recentemente sua primeira alta de juros em três anos. Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) também elevou sua taxa básica em setembro, em meio a incertezas no Oriente Médio.

Impactos na economia e nos títulos do Brasil

Esse aperto monetário internacional agrava o cenário para a dinâmica dos títulos do Tesouro brasileiro. O aumento dos juros no exterior reduz a atratividade dos papéis do Brasil, considerados de maior risco por investidores internacionais, pressionando o Tesouro a elevar os prêmios para atrair credores.

O movimento ocorre simultaneamente ao corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic promovido pelo Banco Central brasileiro, o que diminui o diferencial de juros entre o país e as economias avançadas — embora o Brasil permaneça na liderança mundial da taxa real de juros, conforme levantamento da MoneYou com a Lev Intelligence.

Para Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, a combinação desses fatores pode resultar na desvalorização do real frente ao dólar. A especialista afirma que a redução do diferencial de juros amplia a incerteza sobre os fluxos de investimento, potencializando pressões de desvalorização na moeda brasileira.

Depreciação do iene e Treasuries

A queda no preço do iene, que acumula baixa de quase 1% ante o dólar no ano até o momento, representa um risco inflacionário monitorado pelo BoJ. O Japão, como grande detentor de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (os Treasuries), pode gerar desestabilizações globais caso mercados desordenados da moeda japonesa provoquem liquidações forçadas.

Gianluca Rosales explica que um iene fraco força o país asiático a intervir no câmbio por meio da venda de ativos em dólar. Contudo, dados mostram que os investidores japoneses venderam líquidos 2,6 trilhões de ienes em títulos estrangeiros de longo prazo até setembro, após terem comprado 11,3 trilhões de ienes no mesmo período de 2025.

As perdas da moeda japonesa só não foram maiores devido à intervenção ativa dos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que seu governo comprou ienes como um sinal de amizade, sendo o primeiro em mais de uma década a adotar a medida. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, defendeu a atuação conjunta com o Japão para sustentar o iene a um custo modesto, destacando benefícios para exportadores norte-americanos e para as taxas dos títulos.

A venda de Treasuries de longo prazo pelo Japão eleva os juros de longo prazo americanos, fazendo com que investidores abandonem mercados emergentes como o Brasil em busca da segurança da dívida dos EUA, o que também encarece as taxas de longo prazo brasileiras, conclui Marilia Fontes.

Perspectivas e divisão no Banco do Japão

Apesar da alta anunciada, o mercado foi surpreendido pela dissidência na cúpula do BoJ: dois membros votaram pela manutenção das taxas. Embora o comunicado oficial indique continuidade no ciclo de alta, a divergência gerou dúvidas sobre a magnitude e o ritmo dos próximos passos.

Andressa Durão, economista do ASA, aponta que a decisão foi menos agressiva do que o esperado, uma vez que o presidente do BoJ evitou estipular prazos ou o ritmo de novos aumentos, condicionando o futuro ao crescimento, aos preços e às condições financeiras. A divisão interna provocou a depreciação do iene logo após o anúncio.

Com a inflação japonesa próxima de 2%, o juro real do país permanece negativo, mesmo com a taxa básica em 1,25%. Para o BoJ, políticas de emergência já não se justificam em uma economia normalizada, mas os votos contrários refletem a cautela de manter o aperto monetário em um cenário de desaceleração da inflação. Gianluca Rosales avalia que uma diretoria dividida sinaliza um ciclo mais lento e um teto mais baixo, adiando a repatriação de recursos e tornando a alta atual menos ameaçadora para o Tesouro americano do que seria uma decisão unânime.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/alta-de-juro-no-japao-pressiona-titulos-pelo-mundo-dizem-analistas/

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