A atuação de Scott Bessent à frente do Tesouro dos Estados Unidos e como principal assessor econômico do presidente Donald Trump tem enfrentado forte ceticismo de especialistas e investidores. Conhecido por sua experiência em Wall Street e por ajudar a “quebrar” o Banco da Inglaterra em 1992 ao lado de George Soros, Bessent adotou uma postura ousada no cargo, declarando recentemente ser “a casa” e desafiando os críticos do mercado.
No entanto, as tentativas de controlar e reduzir os rendimentos dos títulos de 10 anos para patamares abaixo de 4% não alcançaram o resultado esperado. Pelo contrário, analistas apontam que as taxas de referência registraram altas expressivas, superando temporariamente os 5,04% em uma terça-feira, o maior patamar desde 2007. Para conter o avanço das taxas, Bessent implementou uma intervenção controversa que triplicou as recompras de títulos do Tesouro, medida classificada por críticos como ineficaz ou contraproducente.
Especialistas do setor econômico criticam a estratégia adotada. Tim Mahedy, CEO da Access/Macro e ex-funcionário do Federal Reserve de São Francisco e do Fundo Monetário Internacional, afirmou que a atuação do secretário teve o impacto oposto ao desejado. Na mesma linha, Hardika Singh, estrategista econômica da Fundstrat, classificou a medida como um fracasso estrondoso que acabou sinalizando preocupação aos investidores. Por outro lado, o economista-chefe do UBS, Paul Donovan, ponderou em relatório que os mercados reagem fortemente à rápida alta do preço do petróleo bruto e que o plano de recompra não teve impacto perceptível.
A condução econômica também gerou alertas entre veteranos da área. O investidor Stanley Druckenmiller publicou um artigo no The Wall Street Journal alertando sobre os riscos de tentar suprimir os rendimentos. Douglas Holtz-Eakin, ex-assessor do governo de George W. Bush, destacou que a iniciativa estava destinada ao fracasso por não atacar o problema central: os déficits orçamentários multibilionários e a dívida nacional que alcança US$ 40 trilhões. David Wessel, pesquisador da Brookings Institution, reforçou que intervenções desse tipo exigiriam uma emergência real de funcionamento do mercado seguida de ajustes fiscais consistentes.
O impacto do aumento nas taxas de juros dos títulos reflete diretamente na economia real americana, encarecendo hipotecas para consumidores, empréstimos para pequenas empresas e financiamentos para o governo federal. Analistas também apontam que Bessent tem lidado com um cenário político complexo marcado por políticas comerciais e militares da administração Trump, além de limitações institucionais — já que o Tesouro não dispõe da mesma capacidade do Federal Reserve de emitir moeda com facilidade.
Apesar das críticas e do movimento adverso dos títulos, Bessent manteve sua postura firme. Em recente aparição na Southern Methodist University, ele defendeu sua gestão e sua intervenção no mercado cambial japonês, declarando possuir informação assimétrica e desafiando investidores a apostarem contra ele.
