NewsHub
Economia

Análise aponta os desafios de Scott Bessent ao tentar superar o mercado de títulos dos EUA

Atuação de Scott Bessent no Tesouro dos EUA enfrenta ceticismo após tentativas de controlar rendimentos de títulos gerarem forte alta nas taxas.

Redação•16 de set. de 2026, 08:32
Análise aponta os desafios de Scott Bessent ao tentar superar o mercado de títulos dos EUA
Imagem: site

Análise aponta os desafios de Scott Bessent ao tentar superar o mercado de títulos dos EUA

Ouça esta matéria em voz alta

A atuação de Scott Bessent à frente do Tesouro dos Estados Unidos e como principal assessor econômico do presidente Donald Trump tem enfrentado forte ceticismo de especialistas e investidores. Conhecido por sua experiência em Wall Street e por ajudar a “quebrar” o Banco da Inglaterra em 1992 ao lado de George Soros, Bessent adotou uma postura ousada no cargo, declarando recentemente ser “a casa” e desafiando os críticos do mercado.

No entanto, as tentativas de controlar e reduzir os rendimentos dos títulos de 10 anos para patamares abaixo de 4% não alcançaram o resultado esperado. Pelo contrário, analistas apontam que as taxas de referência registraram altas expressivas, superando temporariamente os 5,04% em uma terça-feira, o maior patamar desde 2007. Para conter o avanço das taxas, Bessent implementou uma intervenção controversa que triplicou as recompras de títulos do Tesouro, medida classificada por críticos como ineficaz ou contraproducente.

Especialistas do setor econômico criticam a estratégia adotada. Tim Mahedy, CEO da Access/Macro e ex-funcionário do Federal Reserve de São Francisco e do Fundo Monetário Internacional, afirmou que a atuação do secretário teve o impacto oposto ao desejado. Na mesma linha, Hardika Singh, estrategista econômica da Fundstrat, classificou a medida como um fracasso estrondoso que acabou sinalizando preocupação aos investidores. Por outro lado, o economista-chefe do UBS, Paul Donovan, ponderou em relatório que os mercados reagem fortemente à rápida alta do preço do petróleo bruto e que o plano de recompra não teve impacto perceptível.

A condução econômica também gerou alertas entre veteranos da área. O investidor Stanley Druckenmiller publicou um artigo no The Wall Street Journal alertando sobre os riscos de tentar suprimir os rendimentos. Douglas Holtz-Eakin, ex-assessor do governo de George W. Bush, destacou que a iniciativa estava destinada ao fracasso por não atacar o problema central: os déficits orçamentários multibilionários e a dívida nacional que alcança US$ 40 trilhões. David Wessel, pesquisador da Brookings Institution, reforçou que intervenções desse tipo exigiriam uma emergência real de funcionamento do mercado seguida de ajustes fiscais consistentes.

O impacto do aumento nas taxas de juros dos títulos reflete diretamente na economia real americana, encarecendo hipotecas para consumidores, empréstimos para pequenas empresas e financiamentos para o governo federal. Analistas também apontam que Bessent tem lidado com um cenário político complexo marcado por políticas comerciais e militares da administração Trump, além de limitações institucionais — já que o Tesouro não dispõe da mesma capacidade do Federal Reserve de emitir moeda com facilidade.

Apesar das críticas e do movimento adverso dos títulos, Bessent manteve sua postura firme. Em recente aparição na Southern Methodist University, ele defendeu sua gestão e sua intervenção no mercado cambial japonês, declarando possuir informação assimétrica e desafiando investidores a apostarem contra ele.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/analise-a-vez-em-que-scott-bessent-tentou-ser-mais-esperto-que-o-mercado/

Compartilhar