A relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, permanece como um fator relevante às vésperas da eleição israelense marcada para 27 de outubro, que decidirá a permanência de Netanyahu no poder. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna detalhou os contornos e as limitações dessa aliança.
Segundo o analista, o respaldo norte-americano é de grande importância para Israel, especialmente no setor militar. "Israel depende, sobretudo, das armas, da ajuda militar de US$ 6,8 bilhões por ano, além da autorização para o uso dessas armas em guerras, em conflitos, como no caso do Irã ou da faixa de Gaza", pontuou Sant’Anna. Além disso, a dependência possui caráter político, com os Estados Unidos atuando como um "grande guarda-chuva" israelense no Conselho de Segurança da ONU e mantendo uma aliança quase automática.
Apesar do peso histórico, o analista destacou que a influência dos EUA sobre Israel sofreu redução recentemente. A oposição de Israel tem criticado o que aponta como uma dependência excessiva em relação a Washington. Como exemplo, Sant’Anna mencionou o cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza: "Israel foi forçado a parar a guerra, aceitar um cessar-fogo com o Hamas na faixa de Gaza, porque Trump queria apresentar um resultado do seu processo de paz".
Diante desse cenário, a avaliação é de que o impacto eleitoral do apoio de Trump a Netanyahu diminuiu, servindo principalmente para consolidar eleitores que já demonstravam inclinação em votar no primeiro-ministro. "Aquele eleitor que não gosta do Netanyahu, que vai votar na oposição, pode ser bem menos suscetível à importância desse apoio de Trump", concluiu.
