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Irã elabora planos para destruir cabos submarinos no Golfo

Autoridades iranianas revelam planos para atacar cabos de comunicação submarinos no Golfo em caso de nova ofensiva dos EUA e de Israel.

Redação•23 de out. de 2026, 21:30
Irã elabora planos para destruir cabos submarinos no Golfo
Imagem: site

Irã elabora planos para destruir cabos submarinos no Golfo

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Autoridades de segurança do Irã informaram que o país elaborou planos detalhados para atacar cabos de comunicação submarinos no Golfo. A medida seria adotada caso os Estados Unidos e Israel voltem a atacar Teerã, segundo relato de dois altos funcionários de segurança iranianos à agência Reuters.

De acordo com as fontes, que falaram sob condição de anonimato, os avisos surgem na sequência de alertas de que os cabos submarinos na região poderiam virar alvos em um novo conflito, caso a diplomacia com Washington fracasse. Um dos funcionários afirmou que o Irã tentaria impedir reparos após os ataques para prolongar as interrupções nas comunicações e na internet. Outro representante declarou que, caso o país seja atacado, não haverá mais linhas vermelhas, mencionando desde cabos submarinos até bases militares e instalações secretas, além de alertar os Estados Unidos para não brincarem com fogo.

Na quarta-feira (21), Yadollah Javani, vice-chefe de assuntos políticos da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), declarou que o país poderia atacar sete grandes cabos de internet situados sob o Estreito de Ormuz se a infraestrutura iraniana for alvo de investidas.

Impacto potencial e análises

Dados da União Internacional de Telecomunicações, agência da ONU, apontam que cabos submarinos transportam cerca de 99% do tráfego global de internet. No entanto, Alan Mauldin, diretor de pesquisa da consultoria TeleGeography, explicou que o impacto global de uma ofensiva iraniana nesses locais poderia ser limitado, pois menos de 1% da largura de banda internacional passa pelo Estreito de Ormuz. O estreito separa o Irã de Omã, conectando o Golfo ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

O Departamento de Estado dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores do Irã e países do Golfo não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. Mohsen Rezaei, autoridade de alto escalão em segurança, alertou neste mês que a infraestrutura digital ligada aos EUA na região — incluindo centros de dados e instalações de inteligência artificial — também pode virar alvo. Um segundo funcionário iraniano afirmou que aliados de Washington no Golfo investiram pesadamente nessa infraestrutura e devem responsabilizar Washington, e não Teerã, por eventuais danos aos cabos.

Para Alex Vatanka, diretor do programa sobre o Irã no Middle East Institute em Washington, as ameaças buscam desencorajar novos conflitos e pressionar os EUA, fazendo com que governos do Golfo e empresas norte-americanas temam por seus investimentos e pressionem o presidente americano, Donald Trump. Analistas apontam que cortes múltiplos de cabos poderiam desacelerar serviços de internet, interromper transações financeiras, o comércio eletrônico e a computação em nuvem, embora o impacto dependa da capacidade de operadoras redirecionarem o tráfego.

Contexto regional

Especialistas destacam que restaurar conexões em tempos de guerra seria difícil, com custos elevados de seguro e atrasos em autorizações. O Mar Vermelho poderia representar um alvo mais significativo, rota que responde por cerca de 3% da demanda internacional global e 10% do tráfego entre Europa, África Oriental e Ásia, embora o Irã não tenha feito declarações públicas sobre planos de atacar cabos nessa área, mesmo podendo contar com aliados houthis no Iêmen.

Governos do Golfo têm investido em tecnologia para diversificar suas economias e se tornarem polos de inteligência artificial, estreitando laços com empresas de tecnologia dos EUA. Em março, ataques iranianos atingiram instalações da Amazon Web Services nos Emirados Árabes Unidos e danificaram infraestrutura no Bahrein, período em que a Guarda Revolucionária classificou empresas como Microsoft, Google, Apple e Nvidia como alvos legítimos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ira-ameaca-destruir-cabos-de-comunicacao-submarinos-no-golfo/

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