A taxa de aprovação do governo do presidente do Chile, José António Kast, recuou para o seu nível mais baixo desde março, mês em que assumiu a presidência. O cenário é marcado por forte pressão da oposição em relação às políticas de segurança e por uma grave crise econômica no país sul-americano.
De acordo com os dados da pesquisa Cadem Plaza Pública, apenas 30% dos entrevistados afirmam aprovar a gestão atual, enquanto a desaprovação atingiu a marca de 65%. O levantamento também aponta pessimismo generalizado entre a população: 69% dos chilenos acreditam que o país segue na direção equivocada, e 68% demonstram forte pessimismo quanto ao futuro.
Outro estudo, conduzido pela CB Global Data, indica que José António Kast perdeu posições importantes no ranking que mede a popularidade de líderes da América Latina, caindo para a 12ª posição. Atualmente, a liderança da lista pertence à presidente do México, Claudia Sheinbaum, que registra 69,3% de aprovação, seguida por Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que soma 68,3%.
Reação do governo e promessas de campanha
Em pronunciamento realizado na quarta-feira (21), o presidente chileno saiu em defesa de sua administração diante das críticas crescentes da oposição. “Eu não vivo de pesquisas de opinião, e isso faz diferença na liderança”, declarou Kast.
O chefe de Estado chegou ao poder com promessas firmes de endurecer o combate à criminalidade e à imigração irregular, inspirando-se em modelos adotados por figuras como Donald Trump, dos Estados Unidos, e Nayib Bukele, de El Salvador. Sua plataforma eleitoral também contemplava a flexibilização das leis trabalhistas, cortes na carga tributária e a redução de regulamentações estatais sobre a economia.
Desaceleração e agravamento dos indicadores econômicos
O Ministério da Fazenda do Chile revisou drasticamente para baixo, neste mês, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, fixando-a em 0,7%. O corte expressivo de 1,1 ponto percentual foi justificado por fatores como o volume de produção de cobre abaixo das expectativas, impactos gerados por tempestades, ajustes nas contas dos dois primeiros trimestres e os reflexos do conflito prolongado no Oriente Médio.
Os dados oficiais também mostram que a taxa de desemprego no país alcançou 9,6% no trimestre encerrado entre junho e agosto, figurando entre as mais elevadas de toda a América Latina. Paralelamente, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) informou que a inflação superou as previsões no mesmo período, impulsionada principalmente pelos custos de alimentos, bebidas não alcoólicas e transportes.
Críticas da oposição na área de segurança
Além dos percalços no setor econômico, a administração de José António Kast enfrenta forte oposição parlamentar e jurídica contra medidas voltadas à segurança pública. As contestações concentram-se em iniciativas inseridas na Agenda contra o Crime Organizado e o Terrorismo, com especial destaque para as Regras de Uso da Força, que se tornaram alvo de um recurso protocolado no Tribunal Constitucional.
