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Ataques hackers a freezers e hospitais na Europa acendem alerta para riscos cibernéticos no Brasil

Ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração na Europa expõem vulnerabilidades em equipamentos conectados à internet e acendem alertas para riscos similares no Brasil.

Redação•05 de nov. de 2026, 04:30
Ataques hackers a freezers e hospitais na Europa acendem alerta para riscos cibernéticos no Brasil
Imagem: site

Ataques hackers a freezers e hospitais na Europa acendem alerta para riscos cibernéticos no Brasil

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Recentes ataques hackers direcionados a freezers e unidades de saúde em países da Europa colocaram em evidência a vulnerabilidade de equipamentos conectados à internet. No início desta semana, uma nova invasão elevou as temperaturas de freezers em várias nações europeias para até 50ºC, provocando perdas de alimentos em supermercados e lojas. Na França, o Serviço Francês de Sangue (EFS) confirmou que equipamentos de refrigeração de bolsas de sangue, que atendem mais de mil hospitais, foram alvos, embora o incidente tenha sido identificado no início e evitado maiores danos. O episódio repete um padrão verificado no mês anterior no território francês, quando criminosos assumiram o controle de sistemas de refrigeração em centenas de mercados, gerando incêndios e prejuízos alimentares.

Especialistas ouvidos alertam que o problema reside no fato de que varejo, setor alimentício e hospitais utilizam maquinários conectados à rede mundial de computadores. No Brasil, dispositivos como controladores de refrigeração, câmeras de segurança, aparelhos hospitalares, sensores industriais e guindastes automatizados também servem como potenciais portas de entrada para invasores. Marcos Simplicio, coordenador do Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores da Escola Politécnica da USP, aponta que a ameaça ganhou novos contornos com o uso de inteligência artificial para localizar brechas e criar mecanismos de exploração com maior rapidez.

Setores vulneráveis e potenciais impactos

As invasões demonstram que criminosos podem causar danos físicos e financeiros expressivos apenas alterando os parâmetros operacionais de máquinas, sem necessidade de furtar dados confidenciais. Especialistas detalham as áreas de maior risco na economia brasileira:

  • Varejo: geladeiras, freezers, câmaras frias, ares-condicionados, câmeras de vigilância e sistemas de gestão predial;
  • Logística e distribuição: sensores de temperatura, leitores de radiofrequência (RFID), esteiras, empilhadeiras automatizadas e movimentação de cargas;
  • Saúde: refrigeradores de vacinas, medicamentos e bolsas de sangue, além de equipamentos complexos como tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética e máquinas de análises laboratoriais;
  • Indústria e infraestrutura: sensores de produção, linhas de montagem, portos e aeroportos com guindastes automatizados para contêineres.

Roberto Toscani, CISO da Tripla, destaca que a atratividade desses dispositivos se dá porque muitos ficam acessíveis remotamente via internet para manutenção e telemetria de fabricantes e terceirizados, frequentemente operando com softwares desatualizados, autenticação frágil e sem monitoramento de anomalias. Ana Paula Kubinhets, CEO da Aquarelle, aponta o perigo adicional de equipamentos de exames laboratoriais emitirem dados incorretos após invasões, o que, sem uma dupla verificação, pode prejudicar diagnósticos de pacientes.

O cenário de segurança no Brasil

Enquanto Fernando de Falchi, especialista em cibersegurança da Check Point, aponta que companhias brasileiras de bens de consumo e serviços enfrentam uma média de 1.924 ataques semanais e contam com os mesmos equipamentos vulneráveis vistos na Europa, Roberto Toscani pondera que não há registros de ocorrências equivalentes no país. Toscani classifica como alarmista afirmar que o risco é imediato sem dados concretos, embora reforce a necessidade de atenção.

Kubinhets pontua que o nível de preparação varia: enquanto algumas empresas possuem sistemas rígidos e manutenção preditiva avançada, outras ainda operam com controles manuais e registros em papel. A especialista critica a postura de corporações que mantêm softwares desatualizados de forma deliberada, assumindo o risco operacional.

Medidas de prevenção

Para mitigar os riscos de ataques digitais que resultem em danos físicos, especialistas recomendam uma abordagem integrada entre equipes de TI, segurança, manutenção e gestão:

  • Mapeamento rigoroso de todos os dispositivos conectados à rede corporativa;
  • Substituição de senhas padrão e revogação de acessos remotos inativos;
  • Implementação de autenticação multifator para conexões à distância;
  • Separação adequada entre as redes operacionais e os ambientes administrativos ou de ponto de venda;
  • Uso de alertas de temperatura independentes do sistema principal em refrigeradores;
  • Substituição de máquinas obsoletas que não recebem mais atualizações de segurança;
  • Estreitamento da cooperação entre equipes de manutenção física e profissionais de tecnologia para identificar comportamentos anômalos.

Para Simplício, o investimento insuficiente em infraestrutura e capacitação de profissionais continua sendo o principal obstáculo, visto que criar sistemas desprotegidos é mais fácil do que desenvolver arquiteturas seguras. Falchi resume que a proteção desses ambientes representa não apenas uma questão de TI, mas a garantia da continuidade dos negócios, da segurança alimentar e da preservação da vida.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/tecnologia/de-freezers-a-hospitais-ataques-hackers-na-europa-expoem-riscos-no-brasil/

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