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Ataques russos transformam Mar Negro na via navegável mais mortal do mundo

Drones russos atacam navios mercantes e transformam o Mar Negro na via navegável mais mortal do mundo, matando dezenas de marinheiros.

Redação•07 de nov. de 2026, 06:30
Ataques russos transformam Mar Negro na via navegável mais mortal do mundo
Imagem: site

Ataques russos transformam Mar Negro na via navegável mais mortal do mundo

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Ataques com drones russos direcionados a navios mercantes nas últimas semanas transformaram o Mar Negro na via navegável mais mortal do mundo, superando o número de marinheiros mortos durante a guerra do Irã. A ofensiva da Rússia tem como objetivo sufocar o comércio nos portos ucranianos, principais responsáveis pela exportação da produção de grãos do país. No entanto, parte das investidas ocorreu próxima ou dentro de águas territoriais da Romênia e da Bulgária, ambas nações integrantes da OTAN.

De acordo com serviços de rastreamento marítimo e governos romeno e búlgaro, pelo menos 30 marinheiros morreram ou continuam desaparecidos na recente onda de ataques. As ações russas ocorrem após meses de investidas ucranianas contra embarcações que utilizam portos russos no Mar Negro e no Mar de Azov, tendo se intensificado no último mês.

Fontes do setor marítimo e de segurança apontam que a Rússia passou a combinar drones marítimos e aéreos, incluindo novos modelos a jato mais velozes e difíceis de interceptar, além de equipamentos capazes de atingir alvos em movimento. No episódio mais recente, três drones atingiram um navio porta-contêineres, o Contship Jet, a apenas 25 quilômetros da costa búlgara, fazendo com que a embarcação afundasse após inclinar fortemente.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou que o aumento das agressões está transformando o Mar Negro em uma zona perigosa para a navegação civil. Durante o verão, Moscou já havia intensificado mísseis e drones contra portos ucranianos, como Odessa. Com o reflexo na segurança, a Ucrânia exportou 1,09 milhão de toneladas de trigo em setembro, uma queda considerável em relação às 2,05 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. Tentativas de redirecionar as cargas para portos menores no rio Danúbio também foram alcançadas por drones russos.

No início de outubro, o navio Alfa Watan, de propriedade turca e que viajava do Egito para o porto romeno de Sulina, foi atingido por drones aéreos e navais, resultando na morte de nove tripulantes sírios e um egípcio, além do naufrágio da embarcação. Seis dias depois, o HS Dignity foi atacado à noite perto da costa búlgara, causando a morte de 11 tripulantes, majoritariamente sírios. O ativista Mohammad Hajjouz relatou que a tripulação precisou saltar em águas frias e agitadas após a colisão de uma embarcação de superfície não tripulada.

Apesar dos riscos, dificuldades econômicas e ofertas de pagamentos adicionais continuam atraindo marinheiros para a região. Em 15 de outubro, novos ataques em águas territoriais romenas e em sua zona econômica exclusiva vitimaram mais oito pessoas e atingiram navios-tanque químicos como o Wine Trader e o Yara J, segundo dados da ministra das Relações Exteriores da Romênia, Oana-Silvia Toiu. A empresa de inteligência marítima Ambrey destacou que embarcações ligadas ao comércio ucraniano viraram alvo dentro de zonas econômicas de membros da OTAN.

O Ministério da Defesa da Rússia alegou em diversas ocasiões que as embarcações atacadas transportavam carga militar e de uso duplo para as forças armadas ucranianas.

Reação internacional e impacto econômico

A resposta europeia tem sido fragmentada. Enquanto o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que a aliança reforçou sua postura no flanco leste, países como a Bulgária solicitaram o envio de aeronaves de combate e sistemas antidrone da OTAN. A Romênia iniciou patrulhas com caças F-16 — abatendo drones russos no final de outubro — e planeja acelerar equipamentos de vigilância e combate a minas.

O tráfego nos portos ucranianos sofreu forte retração, enquanto as seguradoras elevaram as taxas. O Joint War Committee ampliou as áreas de alto risco no mercado de seguros de Londres para incluir toda a região do Mar Negro, exceto as águas da Turquia, Romênia, Bulgária e Geórgia.

O impacto atinge o sistema alimentar global, visto que a Ucrânia responde por cerca de 15% das exportações mundiais de milho, 10% do trigo e lidera a exportação de óleo de girassol, com 90% de seus produtos agrícolas transitando pela via navegável. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, classificou o Mar Negro como vital para a segurança alimentar mundial, criticando a Rússia por colocar a liberdade de navegação na mira.

Por sua vez, o governo dos Estados Unidos, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, responsabilizou ambos os lados pelos incidentes, mencionando propriedades americanas atingidas indiretamente, embora ressaltando que a Ucrânia não visou intencionalmente tais embarcações.

Especialistas como Dimitar Bechev, do St Antony’s College em Oxford, apontam que a OTAN, a Turquia, a Romênia e a Bulgária precisam intensificar defesas antidrone e garantir a liberdade de navegação, enquanto o autor David Axe avalia que Ucrânia e Rússia continuam se punindo sem alcançar vantagens duradouras.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ataques-russos-transformam-mar-negro-em-via-navegavel-mais-mortal-do-mundo/

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