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Santiago Peña sofre impeachment e prisão domiciliar em menos de 48 horas no Paraguai

Santiago Peña sofreu impeachment e foi colocado em prisão domiciliar em menos de 48 horas no Paraguai, após crise em banco digital.

Redação•07 de nov. de 2026, 04:30
Santiago Peña sofre impeachment e prisão domiciliar em menos de 48 horas no Paraguai
Imagem: site

Santiago Peña sofre impeachment e prisão domiciliar em menos de 48 horas no Paraguai

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Em um intervalo inferior a 48 horas, Santiago Peña renunciou ao cargo, teve o impeachment aprovado pelo Congresso e foi submetido à prisão domiciliar no Paraguai. A crise institucional e política foi deflagrada após a intervenção no Ueno Bank, banco digital cujos problemas de solvência resultaram no bloqueio de contas de aproximadamente 3 milhões de clientes, afetando quase metade da população do país e cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos.

A detenção de Peña ocorreu na noite de sexta-feira (6), executada por agentes policiais paraguaios após o Ministério Público emitir uma ordem de prisão contra ele e contra o ex-presidente do Banco Central, Carlos Dagoberto Carvalho. A medida foi formalizada poucas horas depois de o Senado aprovar a destituição de Peña por 44 votos favoráveis. O ex-presidente permanece em sua residência em Assunção, monitorado por policiais e sem o uso de tornozeleira eletrônica, até que a Justiça decida sobre o local definitivo de sua custódia durante o andamento do processo criminal.

O promotor Christian Benítez informou que Peña foi intimado a comparecer ao Ministério Público na manhã de sábado (7) e destacou que as acusações ainda estão em fase de definição, com análise de provas antes da formalização. Entre os crimes investigados estão abuso de confiança e tráfico de influência. A defesa do ex-presidente é realizada pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, e Peña nega a prática de irregularidades. O então vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu a chefia do Executivo para concluir o mandato presidencial que se estende até 2028.

A crise no Ueno Bank

O colapso financeiro teve início na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank devido a problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas ligadas à instituição. Com o índice de solvência abaixo da metade do mínimo exigido, o banco teve as contas de cerca de 3 milhões de clientes bloqueadas. A instituição também administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social.

Peña, economista empossado na Presidência em 2023, atuou como acionista do Grupo Vázquez — proprietário do Ueno Bank — até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central na terça-feira, a pedido de Peña.

O processo de impeachment

A escalada da crise ocorreu na quinta-feira (5), quando a Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra o presidente por 78 votos a zero. Antes da votação, Peña anunciou sua renúncia ao cargo, alegando buscar a estabilidade do país e a preservação democrática. Parlamentares da oposição, contudo, resistiram à renúncia voluntária por temerem a manutenção de foro privilegiado. Uma proposta de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitada pela Câmara no mesmo dia, por 48 votos a 30.

O processo seguiu para o Senado, que iniciou os debates na quinta-feira e convocou uma sessão extraordinária para a sexta-feira (6). Durante a sessão, um pedido da defesa para ampliar de 12 para 72 horas o prazo de apresentação de argumentos foi rejeitado por 39 votos. Representado por seus advogados, Peña teve o impeachment aprovado por 44 votos favoráveis e uma abstenção, por volta das 18h50 no horário de Brasília.

Investigação e posse de Pedro Alliana

A ordem de prisão emitida pelo Ministério Público determinou que Peña permaneça em prisão domiciliar até ser colocado à disposição da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção. Carlos Carvallo também teve prisão determinada, devendo cumprir a medida em unidade definida pelo Comando da Polícia Nacional.

Cerca de uma hora após a aprovação do impeachment, Pedro Alliana tomou posse como novo presidente do Paraguai para concluir o mandato até 2028. Em seu primeiro discurso, Alliana prometeu medidas imediatas para ressarcir os clientes prejudicados pelo colapso financeiro do Ueno Bank, priorizando os poupadores em situação de maior vulnerabilidade.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/impeachment-e-prisao-em-menos-de-48h-entenda-situacao-de-santiago-pena/

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