A mudança de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, seguindo os passos de seu irmão Eduardo Bolsonaro, gerou repercussão na política nacional e alterou a dinâmica da oposição. O senador, que acumulou quase 60 milhões de votos na última eleição presidencial contra Lula, optou por deixar o país após o pleito.
A saída do parlamentar ocorreu às escondidas e foi acompanhada pela divulgação de uma carta de teor golpista. No documento inicial, Flávio alegou fraude na votação e se autodeclarou presidente eleito do Brasil, tendo posteriormente alterado a redação para se apresentar como líder do país. Segundo a análise, a decisão de comandar a oposição à distância esvaziou sua liderança, visto que há falta de interessados em seguir diretrizes remotas sob essas circunstâncias.
Com o isolamento político de Flávio e a prisão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o cenário abriu espaço para novas lideranças. O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, que havia apoiado a campanha do primogênito para quitar uma dívida de lealdade com o clã, reconheceu o resultado das urnas e a lisura do processo eleitoral. Em um vídeo com a declaração "A eleição passou, o Brasil continua", Tarcísio indicou que pode concorrer à Presidência em 2030 e assumir a chefia da oposição. Outros aliados também reconheceram a derrota.
A conjuntura atual favorece a reorganização de setores menos radicalizados da política. O resultado do pleito indicou que o antibolsonarismo supera o antipetismo, e a partida do senador permitiu que a ala moderada — jocosamente rotulada de “direita limpinha” pelo senador eleito Carlos Bolsonaro — recupere espaço no tabuleiro político nacional.
