O senador Flávio Bolsonaro afirmou neste domingo, 1º, que não possui arrependimento de “absolutamente nada” do que fez. Em publicação realizada na rede social X, o parlamentar criticou a imprensa e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Autointitulado anteriormente como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” — alcunha da qual abriu mão após aliados culparem o ChatGPT pelo lapso —, o presidenciável deixou o país rumo aos Estados Unidos em um jatinho alegadamente providenciado por Jason Miller, pessoa próxima ao presidente Donald Trump, após a derrota no segundo turno. A viagem ocorreu de forma secreta com a família e colocou em xeque o capital eleitoral conquistado com mais de 59 milhões de votos na reta final, além de afastar a imagem de moderado que apoiadores tentavam construir.
A repercussão política imediata aponta para o risco de o PL perder força na disputa pelos comandos da Câmara e do Senado em 2027. O cenário inclui acenos à direita feitos pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o endosso de legendas do Centrão ao projeto reeleitoral do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em sua postagem, Flávio declarou que, a partir dos Estados Unidos, possui liberdade para avaliar os acontecimentos recentes. Sem citar o nome diretamente, o senador fez menção ao ministro Alexandre de Moraes ao criticar medidas judiciais e buscas: “Não serei alvo de um juiz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta”. A determinação de entrega de passaportes ocorreu logo após a confirmação de sua derrota no segundo turno.
“Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrepende de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: ‘Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos’”, escreveu Flávio, utilizando uma declaração dada em 2016 pelo atual ministro do STF Cristiano Zanin, na época em que atuava como advogado do presidente Lula perante as Nações Unidas.
O senador também argumentou que “não saiu do Brasil”, mas sim “saiu pelo Brasil”, embora não tenha detalhado publicamente o planejamento para deixar o território nacional sem o conhecimento de aliados. Ele relatou que, sete minutos após o anúncio do resultado das eleições, havia uma decisão com medidas cautelares embasada em mentiras, seguida de intimação no meio da rua doze horas depois, na saída da residência do presidente Bolsonaro.
Flávio criticou o processo ao mencionar o impacto sobre o pai, descrito como alguém com comorbidades, condenado a mais de 27 anos de prisão e distante de outro filho há mais de um ano e meio devido a uma perseguição que classificou como ilegal e arbitrária. Por fim, o senador informou que conversará nos próximos dias com veículos de imprensa sem cortes ou filtros para relatar fatos que, segundo ele, não podem ser ditos por quem permanece no Brasil.
