O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi alvo de manifestações de apoio de aliados políticos nas redes sociais no sábado (31). A mobilização ocorreu em meio a duras críticas direcionadas ao governador por setores da direita e apoiadores mais radicais de Jair Bolsonaro, após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Deputados estaduais, integrantes do governo paulista e lideranças políticas publicaram homenagens e mensagens exaltando a gestão de Tarcísio no estado. O próprio governador compartilhou as publicações em seus perfis oficiais. Entre os nomes que participaram da mobilização estão o presidente da Alesp, André do Prado (PL); o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Henguel Ricardo Pereira; o deputado estadual Capitão Telhadinha (PP); e o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Pessoas do entorno do governador enxergam a movimentação como uma demonstração de respaldo político diante do desgaste com alas mais radicais do bolsonarismo.
Reações e silêncio de aliados
Por outro lado, a ausência de manifestações públicas por parte de importantes aliados também chamou atenção. Até o período observado no sábado (31), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP) — que atuaram ao lado de Tarcísio na campanha eleitoral — não haviam feito publicações semelhantes em defesa do governador, em meio ao rearranjo político da direita após a derrota presidencial e a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
O desgaste com o setor mais radical do bolsonarismo intensificou-se após Tarcísio defender publicamente o reconhecimento do resultado das eleições presidenciais. Em vídeo divulgado na terça-feira (27), o governador afirmou que a disputa havia terminado e o país precisava olhar para o futuro. Nos dias seguintes, Tarcísio também mencionou em entrevistas a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030, provocando reações negativas e ataques de apoiadores que passaram a chamá-lo de "traidor" nas redes sociais.
Histórico da campanha e relação com Nunes
Tarcísio foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno com 14.491.874 votos (62,65% dos votos válidos) e dedicou praticamente todo o intervalo entre os turnos à campanha de Flávio Bolsonaro, participando de agendas em vários estados e organizando mais de 100 eventos em território paulista. A relação entre Tarcísio e Flávio também marcou a campanha, com relatos de que a candidatura de Flávio foi definida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em reunião com Tarcísio no início do ano.
Em paralelo, a ausência de manifestação de Ricardo Nunes ocorre em um momento em que aliados descrevem a relação entre o prefeito e o governador como estremecida. Nunes enfrenta um pedido de impeachment na Câmara Municipal de São Paulo devido aos problemas no transporte coletivo da capital no dia do segundo turno. Interlocutores do prefeito avaliam que Tarcísio estaria evitando uma aproximação pública para não associar sua imagem às polêmicas da administração municipal, embora tal estratégia não tenha sido confirmada pelo governador. A relação entre Tarcísio e Nunes incluiu o apoio do governador na disputa pela Prefeitura em 2024 e a participação do prefeito na campanha de reeleição estadual em 2026. O silêncio de Guilherme Derrite também repercutiu devido ao seu papel na formulação de propostas de segurança pública durante a campanha de Flávio Bolsonaro.
