NewsHub
Economia

Mercado financeiro avalia manutenção da taxa Selic em 13,75% até o fim de 2027

Agentes do mercado financeiro avaliam que a taxa Selic pode permanecer em 13,75% ao ano até o final de 2027 diante da piora nas perspectivas inflacionárias e incertezas fiscais.

Redação•05 de nov. de 2026, 04:31
Mercado financeiro avalia manutenção da taxa Selic em 13,75% até o fim de 2027
Imagem: site

Mercado financeiro avalia manutenção da taxa Selic em 13,75% até o fim de 2027

Ouça esta matéria em voz alta

Agentes do mercado financeiro analisam a possibilidade de a taxa básica de juros, a Selic, permanecer em 13,75% ao ano até o final de 2027. A discussão ocorre após a alta cúpula do Banco Central interromper a sequência de cortes na taxa durante a noite de quarta-feira (4), movimento que refletiu a piora nas perspectivas de inflação em meio a elevadas incertezas locais e globais.

Segundo Caio Megale, economista-chefe da XP, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que o cenário externo tornou-se mais adverso devido ao aumento dos preços do petróleo e à política monetária restritiva em economias avançadas. Antes mesmo da decisão, a XP revisou seu cenário-base para prever a manutenção dos juros em 13,75% ao longo de 2027.

O Goldman Sachs também apontou para a mesma direção em relatório, avaliando que a Selic pode seguir inalterada além de 2027, mantendo-se assim até pelo menos o segundo trimestre de 2028, devido à deterioração visível nas perspectivas inflacionárias e à incerteza sobre o crescimento e a política fiscal.

Cenário doméstico e choques inflacionários

Na economia doméstica, o mercado e o Copom identificam fatores ambíguos. De um lado, a atividade econômica desacelera mais do que o esperado, contendo a alta de preços. De outro, há expectativas de choques inflacionários decorrentes de fatores como o El Niño, repasses de custos pelo fim da escala 6x1, efeitos da reforma tributária e o elevado custo da energia global devido à guerra no Oriente Médio.

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, apontou que o Copom classificou o patamar atual da Selic como "substancialmente contracionista". Para o especialista, o colegiado tentou equilibrar o momento ao explicitar que suas estimativas de inflação consideram tanto os choques de oferta quanto as projeções do boletim Focus — que apontam Selic de 12,5% em 2027 e de 11% em 2028. Honorato avalia que, caso os juros fiquem entre 12,5% e os atuais 13,75%, a inflação pode cair além do projetado atualmente.

Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central e fundador da FKX.Macro, utilizou as fórmulas da autarquia para calcular que a inflação desaceleraria para 3,1% em 2028, aproximando-se da meta, caso a Selic permaneça em 13,75%. Para ele, o cenário mais provável é a manutenção dos juros nos próximos meses.

Incertezas fiscais e o cenário político

As indefinições do governo em relação às contas públicas e aos rumos da economia sob a gestão de Lula 4 pesam contra a queda dos juros e elevam a cautela do mercado. Para Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, a baixa visibilidade sobre o futuro justifica a manutenção esperada da Selic em 13,75% ao longo do próximo ano.

Honorato ressalta que, caso ocorra a resolução das incertezas fiscais e um apaziguamento com o mercado, haverá espaço para o Banco Central retomar o ciclo de cortes. Contudo, o economista pontua que a melhora do humor depende de uma sinalização crível do governo e da indicação de um nome forte para o Ministério da Fazenda.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/mercado-avalia-possibilidade-de-selic-seguir-em-1375-ate-o-final-de-2027/

Compartilhar